Aos 90 anos, Elisaldo Carlini diz que vai “continuar brigando pela causa” da maconha

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Na foto do início de novembro de 2019, Carlini conversa com participantes durante simpósio promovido pelo Cebrid e associação Cultive na USP (Foto: Divulgação/CEBRID)

O Dr. Elisaldo Carlini é o maior nome da ciência brasileira quando se trata de pesquisas com maconha. Pioneiro na farmacologia e nos estudos sobre a cannabis para controle de epilepsia no Brasil, lá nos anos 70, o médico chega a nove décadas de vida com uma grande frustração: nunca foi ouvido com atenção pelas autoridades brasileiras. O desabafo aconteceu nesta terça-feira durante um simpósio promovido pelo Cebrid e associação Cultive na USP.

“Enquanto eu durar e tiver cabeça, pretendo continuar brigando pela mesma causa. É preciso que o Brasil crie vergonha e modifique o que está acontecendo no país. Não é possível! Eu me dedico aos estudos da maconha há 50 anos, nunca consegui ser ouvido, por que que isso acontece?”, questionou.

Professor emérito da Unifesp e diretor do Centro Brasileiro de Informações sobre Drogas Psicotrópicas (Cebrid), Carlini foi selecionado em março deste ano como pesquisador emérito do Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (CNPq). Atualmente, atua como orientador de mestrado e doutorado do Departamento de Medicina Preventiva da Unifesp. Já foi membro do Conselho Econômico Social das Nações Unidas e citado mais de 12 mil vezes em artigos científicos.

Então, por que, com esse currículo extenso, o médico não é ouvido? Nesta terça, Dr. Carlini fez uma longa palestra sobre sua pesquisa e relatou as três tentativas frustradas de criar uma política pública para a cannabis medicinal no país. O médico lembrou que entre 1995 e 1997 esteve à frente da Secretaria Nacional de Vigilância Sanitária, quando tentou criar uma “Anvisa da cannabis”, projeto que nunca saiu do papel por desprezo da classe médica com o tema.

O médico ficou bastante emocionado ao contar essa luta pelo direito ao acesso à cannabis no Brasil. O momento mais marcante da palestra foi quando Carlini lembrou dos relatos dos pacientes, quando apresentavam pela primeira seus avanços clínicos durante congressos médicos. O cientista foi longamente aplaudido por uma plateia em pé e também emocionada.

“Eu publiquei mais de 700 trabalhos científicos em inglês, porque eu publicava aqui e ninguém lia. Se o Ministério da Saúde quiser discutir esse assunto, mesmo numa maca eu irei”.

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