Carlini: “Se o Ministério da Saúde quiser discutir esse assunto, mesmo numa maca eu irei”

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Carlini é o maior nome da ciência brasileira quando se trata de pesquisas com maconha medicinal. Pioneiro na farmacologia e nos estudos sobre a cannabis para controle de epilepsia no Brasil nos anos 70, o médico tinha uma grande frustração: nunca foi ouvido com atenção pelas autoridades brasileiras. Esse desabafo aconteceu no início de novembro de 2019, durante um simpósio promovido pelo Cebrid e associação Cultive na USP, conforme foi registrado pelo Sechat. 

“Enquanto eu durar e tiver cabeça, pretendo continuar brigando pela mesma causa. É preciso que o Brasil crie vergonha e modifique o que está acontecendo no país. Não é possível! Eu me dedico aos estudos da maconha há 50 anos, nunca consegui ser ouvido, por que que isso acontece?”, questionou.

Professor emérito da Unifesp e diretor do Centro Brasileiro de Informações sobre Drogas Psicotrópicas (Cebrid), Carlini foi selecionado em março do ano passado como pesquisador emérito do Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (CNPq). Atualmente, atua como orientador de cursos mestrado e doutorado do Departamento de Medicina Preventiva da Unifesp. Já foi membro do Conselho Econômico Social das Nações Unidas e citado mais de 12 mil vezes em artigos científicos.

Entre 1995 e 1997 esteve à frente da Secretaria Nacional de Vigilância Sanitária, tentou criar uma “Anvisa da cannabis”, projeto que nunca saiu do papel por desprezo da classe médica com o tema. “Publiquei mais de 700 trabalhos científicos em inglês, porque eu publicava aqui e ninguém lia. Se o Ministério da Saúde quiser discutir esse assunto, mesmo numa maca eu irei”, disse ele à época. Infelizmente, esse momento não vai acontecer. 

Morre o professor Elisaldo Carlini, maior referência brasileira em Cannabis medicinal 

Faleceu nesta quarta-feira (16), o professor Elisaldo Carlini, médico e pesquisador brasileiro considerado um marco que colocou o canabidiol no mapa da ciência brasileira e do mundo quando o assunto é o tratamento de convulsões. A pesquisa de Carlini foi realizada na Escola Paulista de Medicina, em São Paulo, e teve a participação da equipe da Universidade Hebraica de Israel, que agregou nomes como o de Raphael Mechoulam, considerado o pai da Cannabis medicinal. 

Em nota divulgada na tarde de hoje, o Centro Brasileiro de Informações sobre Drogas Psicotrópicas (CEBRID) manifesta profundo pesar pelo falecimento de seu fundador.

Carlini era médico, pesquisador, fundador do CEBRID e professor emérito da UNIFESP. Ele tinha 90 anos e deixa um legado de mais de 50 anos dedicados ao estudo de drogas psicotrópicas no Brasil. Em especial, seus trabalhos sobre a maconha medicinal, colocou o CBD no foco da ciência brasileira e do mundo para o tratamento de convulsões, epilepsia, esclerose múltipla e dor crônica.

A nota diz ainda que a memória do professor, hoje símbolo da pesquisa canábica no Brasil, permanecerá viva e sua herança científica norteando nossa ciência brasileira. “Infelizmente não há como dimensionar a quantidade de pessoas ajudadas por seus esforços; não só como pesquisador, mas também como amigo”, diz o texto.

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