Caso Maguila: o uso medicinal da cannabis funciona para doenças neurodegenerativas?

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No caso de Maguila, as anomalias comportamentais e do humor foram os primeiros sintomas apresentados, e fizeram com que o lutador passasse a ter comportamento agressivo e explosivo fora dos ringues (Foto: Página do Maguila no Instagram)

Caroline Vaz (texto) / Charles Vilela (edição)

A Cannabis sativa vem se tornando mais popular a cada dia, devido ao seu potencial medicinal no tratamento de uma série de doenças, fato já comprovado em milhares de estudos. A planta contém um conjunto de compostos com efeitos terapêuticos, conhecidos como canabinoides. Além do Δ9-tetrahidrocanabinol (THC), que é a principal substância psicoativa da cannabis, o canabidiol (CBD), canabinoide não psicoativo, é o mais abundante na planta e representa uma possibilidade para o tratamento de doenças inflamatórias e degenerativas.

Com a notícia recente de que o ex-lutador de boxe José Adilson Rodrigues dos Santos, o Maguila, faz uso medicinal da cannabis para tratar a Encefalopatia Traumática Crônica –  doença neurodegenerativa causada por traumas cranianos repetitivos, também conhecida como Síndrome Boxer – a planta se tornou alvo de atenção. As alterações degenerativas no cérebro podem ter início meses, anos ou, até mesmo, décadas após o último trauma sofrido pela atleta.

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A Encefalopatia Traumática Crônica

Além de ser frequentemente encontrada em lutadores como Maguila, a síndrome, também passou a ser desenvolvida em ex-atletas profissionais de futebol americano e até em atletas mais jovens,por conta do histórico de traumas repetitivos na cabeça. Esse trauma pode desencadear uma degeneração progressiva do tecido celular, incluindo o depósito anormal de uma proteína chamada de tau. 

Cerca de 3% dos atletas que tiveram múltiplas concussões desenvolvem encefalopatia traumática crônica, como afirma o Dr. Juebin Huang, da Universidade de Medicina de Mississippi (Estados Unidos). Os principais sintomas são: perturbação do humor (depressão e irritabilidade); anomalias comportamentais (impulsividade, explosividade e agressão); comprometimento cognitivo, como perda de memória, disfunção executiva e demência e anormalidades motoras. 

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No caso de Maguila, as anomalias comportamentais e do humor foram os primeiros sintomas apresentados, que fizeram com que o lutador passasse a ter comportamento agressivo e explosivo fora dos ringues. Além disso, Maguila também passou a apresentar alguns problemas cognitivos, como esquecimento.

Sobretudo, não há um tratamento específico para a Encefalopatia Traumática Crônica. Portanto, é necessário o desenvolvimento de estratégias de tratamento que visam interromper ou desacelerar o processo de neurodegeneração da doença. Mas, afinal, como a doença funciona e qual o benefício da cannabis em seu tratamento?

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A cannabis para as doenças neurodegenerativas 

Segundo um estudo revisado por pares e publicado em 2020 na revista Frontiers in Pharmacology, as doenças neurodegenerativas são caracterizadas por extensos danos oxidativos a diferentes substratos biológicos que podem causar morte celular. Dessa forma, o CBD, que interage com o sistema endocanabinoide, pode ter um alto potencial para o desenvolvimento de medicamentos antioxidantes para as mais diversas doenças neurodegenerativas. O estudo, portanto, afirma que o CBD pode ter um impacto considerável na progressão dos principais distúrbios neurodegenerativos.

Os autores do estudo ainda defendem que faltam terapias que combatam de forma eficaz a progressão das doenças neurodegenerativas. O CBD, portanto, deve receber ainda mais a atenção de pesquisadores da área por indicar um papel progressivo no desenvolvimento de anti-inflamatórios que possam tratar doenças degenerativas do cérebro.

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Conforme um estudo publicado em 2018 pela Unità Operativa di Salute Mentale Distretto, na Itália, há uma forte ligação entre canabinoides e doenças neurodegenerativas. Segundo os autores, as atividades neuroprotetoras dos endocanabinoides parecem ser mediadas principalmente pelo CB1 (receptor presente no corpo humano), e, portanto, são caminhos promissores para o tratamento terapêutico de diferentes aspectos das doenças neurodegenerativas.

Eles ainda concluem que o aumento da pesquisa sobre a medicina com a cannabis e do sistema endocanabinoide em relação à neurodegeneração tem o potencial de levar a novas terapias que podem ajudar a prevenir a progressão e, potencialmente, o início dessas doenças.

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