Como a cannabis medicinal tem ajudado mulheres com endometriose

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(Foto: Reprodução/shebdeducation)

Curadoria e edição Sechat, com informações de UOL

A doença não tem cura e às vezes é preciso cirurgia. Essa é a realidade atual de 5 a 15% das mulheres no Brasil em idade reprodutiva, que são diagnosticadas com endometriose.

Uma alternativa para muitas dessas mulheres pode ser o uso de cannabis medicinal. Estudos preliminares recentes pelo mundo, como o do Medical Cannabis Network demonstraram que algumas substâncias presentes na maconha (substâncias isoladas da planta) é capaz de reduzir o sintomas e aliviar as dores crônicas de quem sofre com a doença.

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No Brasil, a Anvisa autoriza a utilização de produtos derivados de Cannabis importados para tratamento de saúde. A autorização vale por dois anos e, durante esse período, os pacientes ou seus representantes legais podem importar o produto autorizado.

Beatriz Milani, de 36 anos, foi diagnosticada com a condição em 2019 e tentou diversos tratamentos antes da terapia canábica, como analgésicos, antidepressivos, anticonvulsiovantes.

Nenhum desses tratamentos me trouxe o resultado na qualidade de vida que eu buscava. Dores pélvicas, alterações emocionais, insônia. Resolvi pesquisar outras alternativas. Foi quando decidi suspender todas as outras medicações e iniciei a terapia canábica, com excelente resultado.

Beatriz Milani

Mas afinal, por que a cannabis medicinal tem esse potencial e como ela funciona?

A cannabis medicinal já é muito utilizada para tratamentos contra dor crônica e de aspectos depressivos. Existem diversos estudos de uso nesses casos. Mas pesquisas recentes em andamento começaram a demonstrar o potencial das substâncias da cannabis medicinal no tratamento de dores crônicas, como as provenientes da endometriose. Principalmente depois que a Organização das Nações Unidas (ONU) reconheceu os efeitos terapêuticos da cannabis em 2020 e abriu portas para novas possibilidades de pesquisas.

Segundo artigo do Laboratório de Neurofarmacologia da Universidade Pompeu Fabra, na Espanha, de janeiro de 2020, o efeito do THC em um modelo de endometriose em camundongos reduziu as medições da dor e limitou o desenvolvimento de cistos endometriais.

Uma pesquisa de 2020 publicada na revista científica Women’s Health foi realizada na Nova Zelândia com mais de 200 mulheres com idade média de 32 anos que revelou que o uso da cannabis aliviou a dor, diminuiu náuseas e vômitos e melhorou o sono, além de reduzir o uso de outros medicamentos.

Atualmente, estudos clínicos foram realizados estudos com camundongos e demonstraram sua eficácia e já existem estudos em andamento em mulheres até no Brasil, como na Unifesp, e como o do Hershey Medical Center, nos Estados Unidos, que foi iniciado no final de 2020 e deve terminar no final de 2021.

Como funciona?

A cannabis possui substâncias (THC- tetrahidrocanabinol e CBD – canabidiol, dentre outras) que se ligam a receptores do corpo (CB1 e CB2) que possuem a mesma ação dos endocanabinóides (substâncias produzidas pelo corpo para recuperar o equilíbrio do organismo quando há algum problema).

“Através desta ligação a cannabis é capaz de auxiliar no tratamento dos sintomas principalmente da dor e da endometriose em si, diminuindo o tecido que se encontra fora do útero e impedindo uma migração maior para outras áreas”, explica Maria Teresa Jacob, médica anestesiologista e membro da Sociedade Brasileira para Estudo da Dor (SBED).

De acordo com o estudo da Medical Cannabis Network, os órgãos pélvicos femininos possuem uma grande quantidade de receptores dessas substâncias presentes na cannabis e uma concentração de endocanabinoide maior até que o cérebro. Por isso, o resultado nas mulheres tem tido tanto sucesso.

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Para o médico ginecologista Mauricio Abrão, médico ginecologista e Chefe do Setor de Endometriose da Faculdade de Medicina da USP, a grande controvérsia, os estudos ainda precisam de mais comprovação futura na atuação da cannabis que vai além do alívio dos sintomas. “Todas essas questões ainda são possibilidades para que isso seja instituído como uma possibilidade terapêutica”.

Mas a grande vantagem do uso da cannabis é a ausência de efeitos colaterais importantes (pode gerar taquicardia, alteração da pressão). “Efeitos como sonolência e sedação podem ocorrer mais durante o período de estabelecimento da dose ideal para a paciente, mas normalmente são de leves a moderadas”, explica Jacob.

Pode ser utilizada em creme, óleo e via oral, dependendo de cada caso. “Em geral, esses produtos vêm de fora do país, onde a produção é regulamentada e é possível se ter controle exatamente da composição do produto”, explica o médico ginecologista Patrick Bellelis, membro da diretoria da Associação Brasileira de Endometriose e Ginecologia Minimamente Invasiva (SBE).

A princípio, por se tratar de uma patologia crônica não existe tempo pré determinado para o tratamento, podendo ser usado de forma contínua sendo interrompido somente em caso de gravidez ou amamentação. E, de acordo com Bellis, em geral é utilizadas doses baixas e progressivas, e não como a primeira linha de tratamento, mas como uma parte das terapias.

Os ginecologistas ainda contam que a cannabis pode ser eficaz também no tratamento da cólica menstrual, dispareunia (dor durante a relação sexual), infecções vaginais, ovários policísticos, síndrome da tensão pré menstrual, menopausa.

Endometriose atinge mais de 6 milhões de brasileiras

A endometriose é uma doença inflamatória, crônica, que decorre da presença de um tecido semelhante ao endométrio, que reveste a parte interna da cavidade uterina, mas fora do útero. Ele pode estar presente em diferentes órgãos e locais do abdômen. Por exemplo entre o útero e o intestino, nos ovários, no intestino, na bexiga e até em órgãos distantes (condição mais rara).

Mulheres que sofrem de endometriose costumam ter dor severa, especialmente durante a menstruação, gerando um grande impacto na qualidade de vida. Em geral, está associada ao estresse psicológico e fadiga que ajudam a piorar ainda mais a dor. A mulher também pode apresentar cólicas menstruais intensas, dor durante a relação, dor pélvica fora do período menstrual, dor para urinar e dor lombar. Além de outras dores dependendo da região em que esse falso endométrio está. Estima-se que 30 a 40% das mulheres com endometriose possam ter problemas relacionados à infertilidade.

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O tratamento da endometriose é multidisciplinar e pode envolver além do tratamento com hormonal com ginecologista, vários outros profissionais da saúde, como o nutricionista, já que a alimentação menos inflamatória pode contribuir para a diminuição dos sintomas, e educadores físicos, porque os exercícios também se mostraram eficazes no controle da dor.

“Além da terapia convencional, as terapias naturais com o uso de extrato de ervas, compostos bioativos derivados de plantas e fitoterapia chinesa podem ser uma opção, tanto de forma isolada para quem não quer tratamento hormonal, ou como um complemento para as terapias convencionais”, aponta Alexandre Amaral, ginecologista da Clínica EMEG, de Salvador.

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