Inovação e empreendedorismo na indústria da Cannabis

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Para Lucena, no caso da Cannabis, que cumpre papel fundamental na preservação do planeta por ser uma matéria-prima renovável, limpa e biodegradável, o agrobusiness está fortemente ligado aos alimentos, biocombustível, produção têxtil, entre muitos outros (Foto: Divulgação/Arquivo Pessoal)

Coluna de Alex Lucena*

Quando o assunto é Cannabis, palavras como inovação e empreendedorismo não podem ficar de fora. Quem observar a trajetória da Humanidade se dará conta da histórica utilização da planta na medicina, indústria, para fins recreativos e até mesmo em rituais religiosos.  Já empreendedores atentos ao futuro enxergam na Cannabis inúmeras oportunidades diante de uma indústria global, bilionária e que, de alguma maneira, está legalizada em mais de 50 países no mundo.

Empreendedores atentos ao futuro enxergam na Cannabis inúmeras oportunidades diante de uma indústria global, bilionária e que, de alguma maneira, está legalizada em mais de 50 países no mundo

Durante a segunda chamada para startups da The Green Hub, encerrada recentemente com apoio da multinacional Merck Life Science, ficou evidente a adesão de empreendedores de todo o Brasil (literalmente), de alguns países da América Latina e também dos Estados Unidos e Canadá.

Vale a pena destacar os setores que mais apresentaram projetos inovadores:

Educação

Educar, informar e comunicar é fundamental em qualquer mercado, mas, em se tratando de Cannabis, isso torna-se ainda mais fundamental para o desenvolvimento da indústria. O desconhecimento é, certamente, o principal entrave para o crescimento da indústria e o Brasil é um exemplo perfeito nesse sentido. 

O sistema endocanabinoide é ainda pouco conhecido por médicos e pacientes. Preconceitos e tabus ainda fazem parte da sociedade como um todo. Startups que proponham soluções educacionais criativas, lúdicas e inovadoras, em especial apoiadas por tecnologia da informação e comunicação, estarão diante de grande oportunidade, seja no setor corporativo, varejo ou governamental. Somente por meio da disseminação de conteúdos educacionais conseguiremos reduzir a enorme ignorância ainda existente nos temas relacionados à Cannabis.    

O desconhecimento é, certamente, o principal entrave para o crescimento da indústria e o Brasil é um exemplo perfeito nesse sentido. O sistema endocanabinoide é ainda pouco conhecido por médicos e pacientes. Preconceitos e tabus ainda fazem parte da sociedade como um todo

Agrobusiness

O agronegócio brasileiro é altamente sofisticado e representa algo em torno de 20% do nosso Produto Interno Bruto (PIB). O agronegócio deve ser entendido, atualmente, como um processo intensivo em uma série de tecnologias, visando alavancar elevados níveis de produtividade no plantio e extração das commodities agrícolas. 

No caso da Cannabis, que cumpre papel fundamental na preservação do planeta por ser uma matéria-prima renovável, limpa e biodegradável, o agrobusiness está fortemente ligado aos alimentos, biocombustível, produção têxtil, entre muitos outros.  Startups que apresentarem soluções inovadoras para aumentar a eficiência do cultivo, extração e produção também estarão perante enorme oportunidade na Cannabis. Isso, obviamente, na medida inevitável em que o mercado brasileiro avançar em sua abertura. E, aqui, refiro-me a qualquer escala de cultivo, passando pelo indoor e outdoor em larga escala, ao cultivo associativo e até mesmo o autocultivo, praticado hoje no Brasil por um (ainda) pequeno número de pessoas com autorização judicial.    

Existe enorme expectativa no Brasil com relação à aprovação do Projeto de Lei 399/15 que, se (quando) aprovada irá permitir o plantio do Cânhamo, “primo-irmão” da Cannabis Sativa com baixíssimo teor de tetra-hidrocanabinol (THC), responsável pelo princípio psicoativo da planta nos seres humanos

Têxtil, moda, alimentos, construção civil e afins

Como decorrência do agronegócio, as possibilidades nos setores de bens de consumo são inúmeras. Não à toa existe enorme expectativa no Brasil com relação à aprovação do Projeto de Lei 399/15 que, se (quando) aprovada irá permitir o plantio do Cânhamo, “primo-irmão” da Cannabis Sativa com baixíssimo teor de tetra-hidrocanabinol (THC), responsável pelo princípio psicoativo da planta nos seres humanos. 

As startups inseridas em questões ambientais e relacionadas ao desenvolvimento econômico sustentável de praticamente qualquer setor terão um oceano azul a explorar nos próximos anos. Estima-se que o cânhamo possa ser desenvolvido para mais de 25 mil produtos. No setor da moda, por exemplo, sabe-se que as fibras do cânhamo são extremamente resistentes, têm alta durabilidade e oferecem, inclusive, proteção a raios ultravioleta.  Todos esses diferenciais, certamente, irão estimular os empreendedores à produção de produtos e serviços inovadores.  

Medicina, Biotecnologia, Saúde e Bemestar

As evidências científicas e clínicas são cada vez mais robustas, assim como os benefícios medicinais da Cannabis no tratamento de diversas doenças, como esclerose múltipla, depressão, dores crônicas, Parkinson, ansiedade e tantas outras. 

Novas tendências como a medicina integrativa – em que o médico busca visão holística do paciente, individualizando o tratamento, preterindo o bem-estar e a saúde versus os tratamentos convencionais a doenças – amplia a possibilidade da personalização de produtos à base de Cannabis. O entendimento cada vez mais profundo do sistema endocanabinoide, que resgata o equilíbrio do organismo humano e de animais, vem para abrir também uma avenida de oportunidades na milionária indústria para pets. Nesse sentido maior, contribuirão as startups de biotecnologia com pesquisas em genética, melhoramento de plantas e rastreabilidade da semente ao ponto de venda. Em resumo, existe muito espaço para inovações em toda cadeia produtiva.  “From seed to sales”, como dizem os norte-americanos.  

Nesse sentido maior, contribuirão as startups de biotecnologia com pesquisas em genética, melhoramento de plantas e rastreabilidade da semente ao ponto de venda. Em resumo, existe muito espaço para inovações em toda cadeia produtiva. “From seed to sales”, como dizem os norte-americanos.

 TITecnologia da Informação

A TI permeia rigorosamente tudo que foi descrito até aqui.  Atualmente, só existe uma indústria mais promissora do que a Cannabis no mundo: a indústria dos dados relacionados ao setor da Cannabis. Na área da saúde, por exemplo, o acesso a informações e dados estruturados de pacientes ajuda a balizar a tomada de decisão dos médicos e profissionais da saúde. Blockchain, inteligência artificial, aplicativos móveis, sensores, IoT – internet das coisas já são exemplos consagrados de tecnologias facilmente adaptáveis à indústria da Cannabis, seja para fins medicinais, industriais ou agrícola. A tecnologia da informação hoje mistura-se com outras tantas como a comunicação, design e marketing digital, tornando-se aliado fundamental ao processo educacional mencionado no início desse artigo. Não tenho dúvidas, assim como a própria Internet já foi um dia, que a TI vem para contribuir em muito para inovações disruptivas na indústria da Cannabis. Estamos só começando.    

*Alex Lucena é Head de Inovação da The Green Hub e colunista do Sechat.

As opiniões veiculadas nesse artigo são pessoais e não correspondem, necessariamente, à posição do Sechat.

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