Cannabis bom para cachorro: como a cannabis tem transformado a vida dos pets
Veterinária Maíra Meira conta como a cannabis medicinal transformou a vida de cães com dor crônica e distúrbios comportamentais, como Luke e Theodoro, oferecendo bem-estar e alívio sem os efeitos colaterais dos medicamentos tradicionais

Tem dor que não late, mas implora por alívio no silêncio do olhar. Tem cuidado que não se ensina em manuais, mas pulsa na troca entre tutores e seus filhos de quatro patas.
Foi nesse espaço entre a ciência e o afeto que a cannabis medicinal encontrou lugar na rotina da veterinária Maíra Meira, e na vida de cães como Luke e Theodoro, que hoje correm mais livres, sem dor, sem medo, com o rabo abanando e o coração em paz.
Quando a dor insiste, a natureza responde

Foi em 2021 que a veterinária Maíra Meira, especialista em acupuntura e fitoterapia, começou a olhar para a cannabis como ferramenta terapêutica.
“Tenho muitos pacientes com dor crônica e via os resultados na medicina humana. Fiz um curso geral, depois um focado em prescrição veterinária, e fui ganhando coragem”, lembra. O empurrão final veio com uma husky, sua primeira paciente canábica, que havia passado por cirurgia e seguia sem conseguir andar. “A cannabis transformou esse caso e a minha prática”, diz.
Luke e Theodoro: menos dor, mais vida
Na casa de Adriana Sougey, Luke, de quase oito anos, é um cão de guarda criado como criança. “Ele tinha várias hérnias e começou a lamber as patas até ferir. Quando entrou com a cannabis, na primeira semana já parou.” A mudança devolveu a qualidade de vida ao pet e também à família. “Ver ele sofrendo me deixava ansiosa. A cannabis trouxe paz”, relata.

Theodoro, por sua vez, chegou pelas mãos do acaso: resgatado das ruas, foi acolhido por Álvaro. “Ele mordia muito a cauda. Achamos que era a síndrome da cauda equina. Com a cannabis, as crises diminuíram muito. Hoje, quase não aparecem”, pontuou o tutor.

Para Maíra, a cannabis entrou onde os fármacos falharam. “A maioria dos meus pacientes tem artrose, hérnia de disco, displasia, epilepsia, disfunção cognitiva. Muitos já não respondiam a tratamentos convencionais. E com a cannabis, conseguimos controlar os sintomas, sem os efeitos colaterais dos remédios sintéticos”, comenta.
Ela também relata avanços em casos comportamentais, como agressividade, ansiedade e reatividade. “Cães que não melhoravam com mudanças de manejo passaram a viver com mais leveza. A planta regula o corpo e a mente”, reflete.
Prescrição com critério e cuidado contínuo
Maíra analisa cada paciente de forma individualizada: queixa principal, idade, histórico, exames. A dosagem é ajustada com acompanhamento próximo, principalmente no início. “Faço consultas presenciais a cada seis meses e exames laboratoriais para monitorar o uso contínuo. O que vejo é que, diferente dos remédios tradicionais, a cannabis ajuda a regular o organismo”.

Embora ainda exista resistência em alguns círculos, Maíra afirma que seus tutores chegam com abertura e interesse. “Aqui no Grande Recife, vejo uma procura crescente. Muitos já chegam dizendo: ‘Quero tentar a cannabis no meu pet’. A aceitação é imediata”.
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Um rabo abanando como resposta
Os casos de Luke e Theodoro são só dois entre muitos. Mas representam o que a cannabis tem proporcionado a cães e gatos: dignidade no tratamento, alívio sem sofrimento e bem-estar sem efeitos colaterais. No olhar tranquilo desses animais, Maíra encontra a confirmação de que está no caminho certo. E os tutores, finalmente, respiram com o coração mais calmo com a certeza de que a “Cannabis é Bom para Cachorro”.
