Estudo argentino aponta que CBD pode potencializar antibióticos contra bactérias resistentes

Estudo do CONICET indica que o cannabidiol (CBD) pode potencializar a ação de antibióticos no combate a bactérias resistentes, em testes de laboratório

Publicada em 23/01/2026

Estudo argentino aponta que CBD pode potencializar antibióticos contra bactérias resistentes

Segundo estudo, associação entre CBD e antibiótico mostra efeito contra bactérias resistentes | CanvaPro

Pesquisadores argentinos propuseram uma abordagem terapêutica que combina um composto da cannabis com um antibiótico de última linha para combater bactérias que já não respondem a tratamentos tradicionais. 

Segundo o site do CONICET, especialistas do Conselho Nacional de Investigaciones Científicas y Técnicas, junto à Universidade Nacional de Hurlingham (UNAHUR), demonstraram em testes de laboratório que a associação entre cannabidiol (CBD) e o antibiótico colistina conseguiu eliminar bactérias gram-negativas multirresistentes, consideradas uma das principais ameaças à saúde pública global. 


Resistência bacteriana: um desafio global


As infecções causadas por bactérias que não respondem a antibióticos convencionais já são responsáveis por mais de 700 mil mortes por ano em todo o mundo e, segundo especialistas, podem superar outras causas de morte se novas soluções não forem encontradas. 


As bactérias gram-negativas multirresistentes como Klebsiella pneumoniae, Escherichia coli, Pseudomonas aeruginosa e Acinetobacter baumannii têm desenvolvido mecanismos para escapar da ação de múltiplos medicamentos, dificultando o tratamento de infecções graves em pulmões, sangue, trato urinário e feridas cirúrgicas.
 

Na prática clínica, antibióticos como as polimixinas, incluindo a colistina, são considerados a última linha de defesa, mas a eficácia desses medicamentos tem diminuído com o uso rotineiro e o surgimento de cepas resistentes, além de estarem associados a efeitos colaterais significativos, como nefrotoxicidade (dano renal) e neurotoxicidade (efeitos no sistema nervoso).


CBD e colistina: sinergia contra superbactérias


Os pesquisadores liderados por Paulo Maffía, do Instituto de Biotecnologia da UNAHUR, testaram a combinação de cannabidiol e colistina contra isolados clínicos de bactérias resistentes à colistina. Em estudos in vitro, que ocorrem em ambiente de laboratório, fora de organismos vivos, a dupla apresentou atividade antimicrobiana sinérgica, mostrando que a ação conjunta dos dois compostos foi mais eficaz do que cada um separadamente contra essas bactérias resistentes.

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Os testes também demonstraram que essa combinação foi bactericida, ou seja, eliminou os microrganismos, e mostrou eficácia contra biofilmes bacterianos, estruturas protetoras que tornam as infecções ainda mais difíceis de tratar com os antibióticos tradicionais.


Para entender melhor como essa associação funciona, os cientistas realizaram análises com ressonância magnética nuclear, que indicaram forte interação molecular entre CBD e colistina, sugerindo um possível novo mecanismo de ação capaz de superar as defesas das bactérias multirresistentes.


Além disso, os pesquisadores destacaram que a presença do CBD pode permitir o uso de doses menores de colistina, o que poderia reduzir os efeitos adversos associados ao medicamento sem comprometer a eficácia no combate às infecções.


Apesar dos resultados promissores em laboratório, a equipe ressalta que são necessários estudos pré-clínicos e clínicos adicionais para avaliar a segurança e eficácia dessa combinação em pacientes e para que agências reguladoras considerem sua aprovação como opção terapêutica válida.