Memória e envelhecimento cerebral entram no radar de estudo sobre cannabis

Pesquisa com dados de milhares de participantes investigou possíveis associações entre o uso de cannabis ao longo da vida, desempenho cognitivo e mudanças estruturais no cérebro durante o envelhecimento

Publicada em 10/03/2026

Memória e envelhecimento cerebral entram no radar de estudo sobre cannabis

Estudo revela ligação inesperada com memória e envelhecimento cerebral | CanvaPro

Com o avanço das pesquisas sobre o cérebro e o envelhecimento, cientistas também passaram a observar como a cannabis pode se relacionar com processos cognitivos ao longo da vida. Um estudo publicado analisou dados do UK Biobank para investigar possíveis associações entre histórico de uso da planta, memória e estrutura cerebral.


A pesquisa avaliou mais de 25 mil participantes com exames de neuroimagem e cerca de 16 mil pessoas submetidas a testes cognitivos, com idades entre 40 e 70 anos.


Cannabis e regiões ligadas à memória

 


Os pesquisadores observaram que participantes que relataram uso de cannabis apresentaram maior volume em áreas cerebrais ricas em receptores CB1, como hipocampo, amígdala, caudado e putâmen — regiões associadas à memória, aprendizado e processamento emocional. Esses receptores fazem parte do sistema endocanabinoide, responsável por regular diversas funções neurológicas no organismo.

Nos testes cognitivos, os participantes também apresentaram melhor desempenho em algumas tarefas relacionadas à memória e à velocidade de processamento, indicadores frequentemente analisados em pesquisas sobre os efeitos da cannabis no cérebro.

Os autores ressaltam, no entanto, que os resultados apontam apenas associações observacionais. O estudo não avaliou fatores como frequência de uso de cannabis, dose ou composição dos produtos utilizados. Mais detalhes metodológicos podem ser consultados na base científica da National Center for Biotechnology Information (NCBI).