Política Internacional

Mesmo com apoio do judiciário, senado de Dakota do Norte (EUA) barra descriminalização da maconha

Nem a sobrecarga do judiciário local, que registrou mais de 17 mil audiências relacionadas à posse de pequenas quantidades de maconha, sensibilizou o Senado de Dakota do Norte, formado por xerifes e associações de polícia

Mesmo com apoio do judiciário, senado de Dakota do Norte (EUA) barra descriminalização da maconha
Senado de Dakota do Norte rejeita descriminalização da maconha, mesmo com apoio de juízes e promotores (Foto: CanvaPro)

Mesmo com apoio de promotores e advogados de defesa, o Comitê Judiciário do Senado de Dakota do Norte, nos Estados Unidos, rejeitou na última segunda-feira (15) o projeto de lei HB 1596, que buscava descriminalizar a posse de até 14 gramas de maconha no estado. 


A proposta, aprovada por ampla maioria na Câmara, transformaria a infração em uma multa civil de US$ 150, mas foi barrada por 5 votos a 2, após forte oposição das associações de polícia e xerifes.


Apresentado pela deputada Liz Conmy (Partido Democrata), o projeto tinha o objetivo de aliviar o sistema judiciário do estado, hoje sobrecarregado por milhares de processos relacionados à posse de pequenas quantidades de cannabis. 


Durante a audiência, representantes das forças de segurança sustentaram que a população já teria “se manifestado contra” mudanças na política de drogas.“Os eleitores não estão interessados na legalização e gostariam que ela continuasse sendo considerada crime.”, declarou Stephanie Ingebretsen, da Associação de Chefes de Polícia de Dakota do Norte.


Justiça sobrecarregada


Entre 2021 e 2024, segundo dados apresentados por Conmy, mais de 8.600 acusações envolvendo maconha foram registradas no estado, totalizando 17 mil audiências judiciais. 


Desses casos, mais de 90% envolviam cerca de 14 gramas da planta. A parlamentar destacou que o projeto era fruto de diálogo com promotores e juízes preocupados com o congestionamento do sistema judicial. “Essa legislação surgiu a partir de sugestões de procuradores estaduais de diversos condados que enfrentam diariamente uma sobrecarga de processos por posse de pequenas quantidades”, afirmou Conmy durante a sessão.


Maconha ainda é infração criminal


Desde 2019, o estado de Dakota do Norte já não prevê pena de prisão para quem for flagrado com até meia grama de maconha. No entanto, a posse segue sendo uma infração criminal, com multa de até US$ 1.000. O HB 1596 buscava alterar esse enquadramento legal, tornando a posse uma citação civil, semelhante a uma multa de trânsito, o que dispensaria a necessidade de comparecimento ao tribunal.


A promotora do Condado de Cass, Kimberlee Hegvik, enviou um depoimento por escrito em apoio à proposta. “Este projeto de lei promove a eficiência e a economia judicial, permitindo que o sistema se concentre em crimes mais graves que impactam diretamente a segurança da comunidade”, afirmou.


Votos divergentes e divisão política


Os senadores Ryan Braunberger (Democrata) e Claire Cory (Republicana) votaram contra a rejeição da proposta. Cory destacou a contradição do Senado ao criticar o excesso de processos nos tribunais e, ao mesmo tempo, se opor a uma proposta que poderia aliviar essa sobrecarga. “Essa é uma solução para consertar o problema, e agora nos opomos a ela”, afirmou.


Já o senador José Castaneda (Republicano) chegou a sugerir uma versão enxuta da proposta, que reduziria apenas para posse de até 14 gramas. Mesmo assim, a maioria optou por barrar o projeto por completo.


Histórico de rejeições populares


Apesar dos avanços legislativos nos últimos anos, Dakota do Norte tem um histórico de resistência à legalização da maconha. Iniciativas para uso adulto da planta foram rejeitadas pelos eleitores em plebiscitos realizados em 2022 e 2023, o que tem sido utilizado como argumento por parlamentares mais conservadores para frear mudanças nas penalidades.


Em depoimento contrário ao projeto, o capitão Jason Kraft, do Departamento do Xerife do Condado de Ward, explicou que sua jurisdição já adotou uma abordagem mais simplificada: o acusado recebe um formulário, assina um acordo com o Ministério Público e paga uma multa de US$ 150, evitando o trâmite judicial.


Para Kraft, o modelo já atende ao que o projeto propunha, sem precisar de mudança legal. “Respeita o voto das pessoas que rejeitaram a legalização e ainda assim promove economia judicial”, disse.


Com informações de Marijuana Moment.