“O fim da guerra” é a dica Sechat de hoje

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Denis é jornalista formado pela USP, faz roteiros no Greg News. É autor de livros como "O Fim da Guerra", sobre políticas de drogas ao redor do mundo, e "Piratas no Fim do Mundo", um relato de uma viagem à Antártica com ativistas. Dirigiu as revistas Superinteressante e Vida Simples. Foi John S. Knight Fellow na Universidade Stanford. (Ilustração: Sechat)

Curadoria e edição Sechat, com informações de Medium

A obra

O planeta tem cerca de 210 milhões de usuários de drogas ilícitas. Destes, 80%, 165 milhões, seriam usuários de cannabis. Com a sua regulamentação, sobrariam apenas os outros 45 milhões usuários de drogas pesadas. Neste livro, o autor percorre o mundo para conhecer as políticas de combate à planta e como elas podem ser utilizadas de alguma forma no Brasil.

Em entrevistas com autoridades, cultivadores, doentes crônicos ou terminais, médicos, pesquisadores, usuários e voluntários. Todos que de alguma forma direta tenham envolvimento com a droga. Burgierman apresenta o resultado de sua pesquisa num painel da situação na Califórnia, Espanha, Holanda, Portugal e no Marrocos. O autor busca mostrar como os sistemas de combate podem sair da alçada policial e jurídica.

Trata-se de uma publicação de 2011 de lá pra cá muita coisa mudou alguns estados americanos liberaram o uso recreativo da droga e no Uruguai a marijuana teve sua cadeia produtiva estatizada, mas vale a pena a leitura, pois o autor traz a possibilidade de que o leitor conheça como funcionam os diferentes sistemas de combate as drogas descritos no livro.

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Cidade de Amsterdã, na Holanda.

Boa parte do livro é dedicada à famosa cidade, lá, o consumo é permitido em determinados estabelecimentos conhecidos como Cofee shop, em uma região específica da cidade. Russo apresenta a política utilizada pela cidade como modelo, como um exemplo interessante, mas, uma vez que foi implantado em meados dos anos de 1970 ele o julga já ultrapassado.

EM AMSTERDÃ, em 2011, havia 221 coffee shops, que são um misto de bar e café, especializados em vender maconha. Eles estão em todos os bairros da cidade e, em algumas áreas, há um do lado do outro. Tem sido assim desde os anos 1970. Os lugares em geral ficam abertos para a rua e as janelas de vidro não denunciam nenhuma grande preocupação em esconder o que acontece lá dentro. A palavra “maconha” não está escrita em nenhum lugar à vista. Mas basta se aproximar do balcão, olhar o cardápio e escolher uma variedade entremeia dúzia de tipos de maconha e a mesma quantidade de haxixe, a resina psicoativa da flor da canábis, extraída por métodos tradicionais, que na Europa costuma ser misturada com tabaco. A porta da frente do coffee shop é igual à porta da frente de qualquer tipo de comércio: inteiramente legal. Mas, para os donos desses estabelecimentos, comprar maconha é ilegal. É proibido plantar, é proibido importar, é proibido vender no atacado — só é permitido vender para os clientes dentro do coffee shop, até um limite de 5 gramas. A porta dos fundos dos coffee shops é tão ilegal quanto a de qualquer boca de fumo brasileira.

Burgierman, 2011, p.54

Portugal

Portugal alterou sua lei. Descriminalizou o uso de drogas, montou um sistema inteligente na saúde para lidar com quem precisasse de ajuda, mas não legalizou droga alguma, todas continuaram proibidas. Para o autor essa é a melhor política ele encontrou em suas viagens.

NO BAIRRO DE SÃO JOÃO DE BRITO, em Lisboa, a Avenida da Igreja cruza com a Avenida de Roma. No meio do cruzamento, há uma pracinha que serve de rotatória, habitada por uma estátua de Santo António, que, em 20 de junho, quando a visitei, estava toda coberta de flores, já que tinha se passado só uma semana do dia do santo padroeiro de Portugal. O Instituto da Droga e da Tóxico dependência (IDT) fica bem ali, em São João, no cruzamento da Igreja com Roma, em frente à estátua do santo. Que Portugal é um país extremamente católico e conservador, mais até que o Brasil fica óbvio de cara, pelos nomes das avenidas e pelas estátuas nos cruzamentos. Ainda assim, o país conseguiu criar, há dez anos, um dos mais modernos e pragmáticos sistemas do mundo para lidar com as drogas. O IDT, em frente a Santo António, hoje é local de peregrinação para formuladores de políticas públicas de todas as partes, incluindo países com longa tradição de pragmatismo e inovação.

Burgierman, 2011, p.100

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Linguagem

O jornalista Denis Russo Burgierman apresenta dados, o livro realmente se apóia em muitos números e teorias econômicas que demonstram o impacto que liberação da maconha causaria, além de acabar com qualquer dúvida o fracasso de nosso atual sistema. Mas o livro não traz apenas relatos da problemática em cima do tema. Seu objetivo central é apontar soluções. O autor sempre inicia um capitulo com as letras todas maiúsculas.

O livro é em primeira pessoa é bem descritivo principalmente quando cita uma cidade procura situar o leitor sobre o contexto socioeconômico e cultural do local assim como suas impressões ao chegar.

ASSIM QUE CHEGUEI a San Francisco, procurei uma daquelas caixas de metal na calçada, típicas das cidades americanas, onde se distribuem jornais gratuitos. Logo na capa do primeiro jornal da primeira pilha que encontrei, havia o anúncio de uma clínica especializada em canábis medicinal. O anúncio vinha com um cupom de desconto de dez dólares.35 Liguei para a clínica e a moça que atendeu me disse que não era necessário marcar consulta, bastava chegar e entrar. Foi o que fiz. Quando cheguei, a sala de espera estava cheia de gente, de todo tipo. Alguns dos pacientes pareciam perfeitamente saudáveis: por exemplo, dois rapazes, um latino e um oriental, que não tinham muito mais que 20 anos. Outros nem tanto, como uma senhora de cabelos ralos, respiração ruidosa e muleta. O médico ia chamando uma pessoa atrás da outra, e a fila andou bem rápido, só o tempo necessário para preencher um formulário de cinco páginas no qual tive de assinar meu nome 24 vezes, assumindo plena responsabilidade sobre tudo, garantindo que não tinha histórico pessoal ou familiar de psicose ou esquizofrenia, que não estava na escola, que era maior de idade e que compreendia que canábis é uma droga perigosa que causa dependência, entre outras coisas.

Burgierman, 2011, p.67

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Ao fim do livro e a enxurrada de números e informações que são dadas, a obra deixa claro que a guerra contra as drogas foi uma invenção dos políticos para ganhar votos à custa do medo que as pessoas justificadamente têm das drogas.

Ficou interessado em saber mais?

O livro do escritor Denis Russo Burgierman, pertence a editora Leya e, chegamos a encontrar versões que variam entre R$0,00 até R$150,00. mas vale a pena dar aquela “googada” e fazer aquela forcinha, seja aqueles que tem condições de compartilhar um bom livro, seja os que possuem condições de adquirir essa obra, para ficar por dentro do universo da cannabis e saber um pouco mais sobre o tema.

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