Os aromas de cannabis e o olfato além do nariz

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Jackeline Barbosa, é doutora em Ciências Médicas e mestre em Neurologia, além de Vice-Presidente da área Médico-científica da Herbarium (Foto: Arquivo pessoal)

Coluna de Jackeline Barbosa

Certamente você já sentiu algum cheiro que remeteu a uma ação ou lembrança. Mas o que talvez não saiba é que estudos recentes comprovam a expressão de receptores olfativos para muito além do nariz, em diversos tecidos do corpo humano, e que alguns aromas naturais têm potencial para tratar doenças. Os cientistas Maβberg e Hatt demonstraram recentemente que, por todo o corpo, as nossas células “sentem” cheiros e respondem a eles.

O olfato é o único sentido não processado pelo tálamo – uma espécie de “estação central” no cérebro, que integra uma infinidade de estímulos neuronais. As moléculas aromáticas viajam pelo bulbo olfatório, atravessam a barreira hematoencefálica e alcançam diretamente o sistema límbico, relacionado às emoções e à memória e centro processador de estados como estresse, alerta, ansiedade e depressão. Daí, para cada cheiro: uma emoção, uma lembrança, uma reação.

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Richard Axel e Linda Buck receberam o Prêmio Nobel de Medicina e Fisiologia de 2004, pela pesquisa científica que trouxe à luz o mapeamento dos genes relacionados ao olfato, evidenciando que, ao longo da evolução, nada menos que 3% de todo o código genético humano se especializou em sentir e distinguir mais de um trilhão de cheiros.

Nas plantas medicinais, a fisiologia é igualmente generosa quando o assunto é aroma. Verdadeiros perfumes botânicos chamados terpenos são produzidos por metabolismo secundário e consistem em um grupo de variados compostos orgânicos voláteis, que viabilizam funções tão primordiais como atrair polinizadores e repelir predadores.  À semelhança dos animais, as plantas também sentem cheiros, emanam odores e a eles respondem. Receptores olfativos situados nos estômatos das folhas, quando ativados, disparam reações epigenéticas e processos de comunicação e defesa.

Foto: DimStock/Pixabay

Na Cannabis, a diversidade de compostos terpênicos é exuberante e muito bem caracterizada nos distintos quimiotipos. Seus terpenos conferem à planta a citricidade da tangerina, a doçura da manga, o toque floral da lavanda ou o cheiro amadeirado do cedro, entre tantos outros aromas possíveis. São muitos tipos de terpenos, com propriedades inseticidas, anti-inflamatórias, bactericidas, fungicidas, ansiolíticas, euforizantes, criativas.

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No corpo humano, os terpenos exibem afinidade com neurotransmissores, como a dopamina ou a serotonina, e controlam o fluxo de outros componentes fitoquímicos na corrente sanguínea.

Um dos terpenos mais presentes nas espécies de Cannabis, o β-mirceno, induz ao sono e ao relaxamento e, quando associado ao CBD, atua no combate a dor e inflamações, modulando a atividade do THC e de vários outros elementos do fitocomplexo. É a inteligência da natureza a serviço do equilíbrio.

Toda a complexidade dos terpenos que caracterizam os diversos aromas de Cannabis ainda encontra a percepção individual, a bioquímica e a farmacogenética de cada pessoa. É um jeito da natureza manifestar sua arte, sendo possível que um mesmo terpeno, quando isolado da Cannabis ou integrado ao seu fitocomplexo seja percebido pelo olfato e se manifeste terapeuticamente de maneiras diferentes, a depender do indivíduo. Solo ou orquestra, assim pode ser a química vegetal.

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Utilizar toda a expressão do olfato e o imenso potencial dos terpenos de Cannabis a favor da saúde integral é uma possibilidade desafiadora, ainda pouco explorada na pesquisa científica. A aromaterapia da Cannabis aponta no horizonte e precisa ser estudada. Destilar a quintessência da planta, estudar seus óleos essenciais e hidrolatos, compreender sua ação terapêutica. Como descrito de modo tão elegante por David La Chapelle, seja “a mão invisível da cura, que traz alívio para as dores do mundo e vem como um aroma, nos ventos da alma”.

As opiniões veiculadas nesse artigo são pessoais e de responsabilidade de seus autores.

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