Sechat mostra a importância da pesquisa brasileira no mundo da cannabis

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"A ciência não é uma ilusão, mas seria uma ilusão acreditar que poderemos encontrar noutro lugar o que ela não nos pode dar" Sigmund Freud (Foto: Polina Tankilevitch/Pexels)

Curadoria e edição de Sechat Conteúdo, com informações de Jornal USP

Seja para fins medicinais, religiosos, industriais ou adulto, a verdade é que a diamba, como era conhecida pelos africanos, sempre foi algo que intrigou as pessoas a buscarem mais informações.

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Os egípcios, a 3.000 a. C., por exemplo, cultuavam a deusa Seshat, que além de dar nome a esta página, era a deusa associada à escrita, à astronomia, à arquitetura e à matemática. O seu nome significa “a que escreve”. Recebia também os títulos de “Senhora dos Livros” ou “Senhora dos Construtores” e sempre era representada com uma espécie de folha de cannabis no alto de sua cabeça, o que, segundo historiadores, representa um conhecimento avançado para época em relação as propriedades terapêuticas e medicinais da erva.

Prosseguindo na história, chegamos ao Brasil. Nosso primeiro contato com a planta foi com a chegada dos portugueses na terras tupiniquins em 1500 d.C., onde os navegadores traziam consigo vestes e materiais das embarcações feitos de cânhamo, produto esse de alto valor comercial na época devido a seu custo, abundância e diversidade de subprodutos derivados do mesmo.

A partir do sec. XX, onde uma onda de desinformação sobre a cannabis rodou o mundo, toda curiosidade em torno da planta se intensificou, o que fez com que universidades e pesquisadores buscassem cada vez mais explicações sobre ela.

Hoje me dia, com toda tecnologia disponível, o acesso a essas informações tornam-se cada vez mais palpável. Em análise bibliométrica de 1.167 artigos científicos publicados entre 1940 e 2019 e, considerados de relevância científica pelas principais bases de dados, mostra que a Universidade se São Paulo (USP) está em primeiro lugar como a instituição que mais publica artigos sobre cannabidiol (CBD) no mundo. A Universidade tem mais que o dobro da segunda instituição, o King’s College London, do Reino Unido, seguido em terceiro pela universidade de Jerusalém, em Israel e, em quarto, pelo instituto Nacional de Abuso de Drogas do EUA.

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O estudo realizado pela Global Trends in Cannabis and Cannabidiol Research from 1940 to 2019, publicado na revista Current Pharmaceutical Biotechnology, utilizou de três softwares para analisar desempenho de países, instituições, autores e periódicos, que revelam tendências evolutivas de diferentes categorias de pesquisa. Para chegar aos resultados, os autores não se restringiram apenas ao número de publicações. Combinaram diversos parâmetros bibliométricos, em especial o número total de produção, o escore global de citação e o índice-h (indicador de desempenho que analisa de forma quantitativa a produção científica de um autor).

Nomes como Francisco Guimarães, Antonio Zuardi e José Alexandre Crippa, todos da Faculdade de Medicina de Ribeirão Preto (FMRP) USP, estão entre os dez pesquisadores do mundo que mais publicam, ocupando o primeiro, segundo e quinto lugares respectivamente.

Claro que não podemos deixar de citar também o grande mestre Elisaldo Luiz de Araújo Carlini, médico, psicofarmacólogo, professor universitário e pesquisador brasileiro. Carlini morreu em 2020, porém é considerado referência mundial e um dos pioneiros nos estudos farmacológicos sobre o potencial terapêutico da cannabis e de outras substâncias psicotrópicas.

Em gráfico disponibilizado pela Current Pharmaceutical Biotechnology, mostra como os pesquisadores brasileiros se destacaram ao longo dos anos na pesquisa com cannabis em relação a outros cientistas ao redor do globo.

Tabela: Reprodução / Revista Current Pharmaceutical Biotechnology

Cooperações nacionais e internacionais 

Reino Unido, Israel, Estados Unidos e Itália têm, cada um, duas instituições entre as dez mais produtivas, já Austrália e Brasil (USP) tem somente uma instituição cada. O Reino Unido lidera como país que tem maior colaboração internacional, seguido de Estados Unidos e Brasil. O King’s College London foi a instituição que mais colaborou com a USP.

O professor Guimarães cita justamente o trabalho colaborativo que mantém com diversos grupos nacionais e internacionais nesta área como o fator que o coloca em primeiro lugar em número de publicações de artigos. “Embora meus trabalhos até meados de 1987 tenham sido na área clínica, inclusive com o CBD, iniciei meus estudos com animais de laboratório neste período, desde então, minha pesquisa vem se concentrando cada vez mais na área pré-clínica”, reforça o pesquisador.

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Ele se destaca também com trabalhos na área de ansiedade, mostrando que o CBD produz efeitos ansiolíticos em diversos modelos animais, bem como os possíveis mecanismos envolvidos nestes efeitos, o que foi lembrado pelos autores do artigo: “Os pesquisadores da USP foram os pioneiros em demonstrar os efeitos ansiolíticos e antipsicóticos do CBD em animais e, posteriormente, em humanos, desde 2012”. E, ainda, destacam que o grupo do professor Crippa vem trabalhando nos efeitos farmacológicos e ensaios clínicos da substância, tendo encontrado evidências consideráveis das ações anti-inflamatória, antioxidante e neuroprotetora do CBD.

“Acredito que a USP em Ribeirão Preto seja singular na interação entre a pesquisa básica e clínica com o cannabidiol, pois os pioneiros nesta área na nossa Universidade sempre semearam o espírito de colaboração de modo sinérgico e recíproco”, enfatiza o professor Crippa, brasileiro e um dos nomes catalogados pelo estudo.

Bem, apesar de todo avanço na área científica realizado por pesquisadores e universidades brasileiras, ainda há um caminho muito longo a se percorrer, pois todo obscurantismo construído em cima de preconceitos estruturais, sociais e culturais, devem ser desmistificados com fatos e, ninguém melhor que a ciência para isso, afinal, ciência e vida, ciência é pop, ciência é tudo!

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