Sob Biden, a nova política para a cannabis nos EUA influenciará o mundo

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Lado positivo: Callegari aposta na influência da vice-presidente Kamala Harris, que já deixou claro seu desejo de legalização da maconha e admitiu que pretende influenciar o presidente Biden nesse sentido (Foto: Arquivo pessoal)

Coluna de Rogério Callegari*

As últimas eleições para presidente nos Estados Unidos mostraram o quão dividida a nação está. Enquanto o presidente Joe Biden teve a maioria dos votos, cerca de metade do país ainda apoia o ex-presidente Donald Trump, recusando-se a aceitar o resultado das eleições. Porém, em uma questão o país inteiro parece ir no mesmo sentido: o ganhador dessas eleições foi, sem dúvida nenhuma, o avanço – seja para o uso medicinal ou adulto – da tão falada cannabis. 

Todas as questões ligadas à cannabis que foram para votações em algum dos 50 estados passaram. Em estados como Montana, Dakota do Sul e Arizona – nos quais os governadores não esconderam o posicionamento contrário – mesmo assim o uso da maconha para fins medicinais e adulto passou com mais de 50% dos votos.

Agora, o momento para a legalidade total e o comércio internacional, a meu ver,  é inevitável. É um caminho que não tem mais volta!

Sem dúvida nenhuma, conclui-se que o tema da cannabis uniu o país que, mesmo após as eleições, permanece politicamente dividido. Os Estados Unidos foram em dez anos de uma proibição total para um país parcialmente legalizado. Agora, o momento para a legalidade total e o comércio internacional, a meu ver,  é inevitável. É um caminho que não tem mais volta!

Uma recente pesquisa realizada pelo instituto Gallup no ano de 2020 concluiu que dois terços dos americanos adultos são a favor da liberação da maconha em nível federal, e apenas 8% é contra qualquer tipo de aprovação. Mesmo assim, as leis federais são bastante claras e bem diferentes. Como os estados têm a liberdade com as suas próprias leis, é bastante decepcionante para algumas pessoas que moram em estados onde se é permitido o uso, saber que não poderão fazê-lo quando viajarem além das fronteiras estaduais.

O THC, que ao lado do canabidiol é um dos canabinoides mais conhecidos da cannabis, continua sendo, desde 1970, uma substância considerada sem valor terapêutico nenhum para o FDA.

O que a lei assinada em 2018, chamada 2018 Farm Bill, aprovou foi o uso em nível federal de CBD e, também, o cultivo do cânhamo. Por sua vez, a maconha, ou qualquer produto com substâncias acima de 0.03% de THC ainda precisarão seguir as leis de cada estado. Contudo, o THC, que ao lado do canabidiol é um dos canabinoides mais conhecidos da cannabis, continua sendo, desde 1970, uma substância considerada sem valor terapêutico nenhum para o FDA (Food And Drug Administration), órgão do governo americano responsável pela regulação do setor de medicamentos.

O que isso quer dizer ? Durante a administração do ex-presidente Barack Obama significava que os negócios envolvendo a cannabis não teriam interferência de qualquer tipo do governo federal se estivessem seguindo as regras dos seus respectivos estados. Foi publicado uma nota pelo governo em 2013, dando bastante segurança às empresas que estavam se aventurando nesse novo negócio.

Quando o ex-presidente Donald Trump assumiu, esse memorando foi retirado e deixou essa indústria muito confusa e com muitas incertezas. Para deixar tudo ainda mais complicado, os estados não dividem leis recíprocas.

Quando o ex-presidente Donald Trump assumiu, esse memorando foi retirado e deixou essa indústria muito confusa e com muitas incertezas. Para deixar tudo ainda mais complicado, os estados não dividem leis recíprocas. Então, se alguém residir na Califórnia e tiver a licença médica para usar maconha ou produtos com alta dose de THC e viajar para a Flórida, essa pessoa poderá ter sérios problemas com as autoridades locais.

Isso já aconteceu e continua acontecendo com diversas pessoas que não têm um conhecimento mais profundo das leis. Esse é mais um ponto para a necessidade de se aprovar uma lei em nível federal. Pessoas sem nenhum passado criminoso estão sendo presas e perdendo suas vidas e seus empregos por falta de conhecimento. 

Creio que a nova administração do presidente Joe Biden e de sua vice Kamala Harris será muito mais favorável ao uso medicinal e recreativo da maconha e produtos com alta concentração de THC.

Creio que a nova administração do presidente Joe Biden e de sua vice Kamala Harris será muito mais favorável ao uso medicinal e recreativo da maconha e produtos com alta concentração de THC. O presidente Biden já deu um depoimento dizendo que a maconha tem que ser descriminalizada. Deste modo, as pessoas que têm problemas com a lei devem ter seus históricos apagados, ou seja, essas pessoas teriam o direito de não ter nenhuma ‘marca’ anterior se o problema com a lei foi ligado à maconha.

A vice-presidente Kamala Harris já deixou claro o seu desejo de legalização da cannabis. Ela diz que tem certeza que fará Biden ver o lado positivo e sua visão quanto ao assunto. Esse cenário teria sido bem difícil antes das eleições no Senado americano em dezembro de 2020.

Biden também apontou que enviará ao Congresso uma proposta que irá proibir empresas de questionarem se a pessoa usa ou não maconha ou produtos com THC. Enquanto isso, a vice-presidente Kamala Harris já deixou claro o seu desejo de legalização da cannabis. Ela diz que tem certeza que fará Biden ver o lado positivo e sua visão quanto ao assunto. Esse cenário teria sido bem difícil antes das eleições no Senado americano em dezembro de 2020. Mas, agora que a casa legislativa conta com maioria Democrata as chances são grandes.

O atual contexto americano está sendo observado no mundo todo e servirá, como de costume, de base para outros países. Israel, Alemanha e o próprio Reino Unido poderão ser grandes parceiros em estudos mais avançados sobre o uso medicinal da maconha, enquanto a China e países Sul Africanos podem ser grandes players no cultivo, oferecendo preços muito competitivos ao mercado global.

*Rogério Callegari é empresário do setor cannabis medicinal no estado da Califórnia, nos Estados Unidos, e colunista do Sechat

As opiniões veiculadas nesse artigo são pessoais e de responsabilidade de seus autores.

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