Telemedicina aproxima prescritores de Cannabis de pacientes de outras cidades e estados

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A psiquiatra Ivana Sesar Douverny aderiu à telemedicina. Foto: Arquivo Pessoal

Por Caroline Apple

No dia 20 de março, o Ministério da Saúde autorizou temporariamente a prática da telemedicina diante da pandemia de coronavírus. De acordo com a portaria nº 467, “as ações de Telemedicina de interação à distância podem contemplar o atendimento pré-clínico, de suporte assistencial, de consulta, monitoramento e diagnóstico, por meio de tecnologia da informação e comunicação, no âmbito do SUS, bem como na saúde suplementar e privada.”

A determinação mudou a rotina de médicos e pacientes, mas, por outro lado, abriu uma nova janela de oportunidades que pode estreitar as relações e ampliar o campo de atendimento, principalmente quando existem barreiras geográficas.

A dentista Gigli Testoni, 51 anos, de Porto Alegre (RS), teve que se aposentar antes da hora por conta da espondilite anquilosante, uma doença inflamatória crônica, ainda sem cura, que afeta as articulações do esqueleto axial, que consiste em 80 ossos na cabeça e tronco do corpo. Além disso, Testoni sofre de asma e insuficiência cardíaca, portanto, sair de casa em meio a uma pandemia não lhe pareceu uma boa ideia.

Diante das dores e a vontade de encontrar um tratamento efetivo, a dentista recebeu a indicação de um médico prescritor de Cannabis de Recife (PE). Foi então que, por meio da telemedicina, a distância entre profissional da saúde e paciente encurtou.

“O médico foi bem detalhista, nada que uma boa consulta presencial não tivesse. Ficamos em atendimento durante 30 minutos. E me senti muito bem atendida. Agora, estou pesquisando a associação que ele me recomendou para comprar o óleo”, afirma Testoni.

A médica generalista e psiquiatra Ivana Sesar Douverny, de Guarapuava (PR), prescreve Cannabis a seus pacientes desde 2018. Com a telemedicina, a profissional da saúde conseguiu atender pacientes canábicos de cidades a quase 200 km de sua cidade, além de um atendimento emergencial em Mauá (SP). “Acredito que a telemedicina foi coisa boa que aconteceu nessa pandemia. Existe também uma relação de confiança entre médico e paciente sobre a realização do pagamento da consulta”, afirma Douverny.

Plataformas

São muitas as plataformas que têm sido usadas pelos profissionais de saúde para fazer os atendimentos. As escolhas vão desde sistemas de vídeo conferência, como Whereby e Zoom, até os meios mais comuns, como vídeochamada pelo WhatsApp e chamadas telefônicas.

A cirurgiã-dentista Fabíola Melaine Clímaco Lopes, da capital paulista, afirma que seu pai, que faz uso da Cannabis para tratar o Alzheimer, estava muito agitado, porém, sem ter como levá-lo à consulta, decidiu telefonar para o médico.

“O médico me retornou e ajustou a dose do óleo do meu pai, e ele melhorou bem. Não houve custo nenhum. Se não fosse a pandemia, com certeza, teria levado ele até uma consulta presencial e teria pagado por isso”, conta Melaine.

Já a moradora de Porto Alegre foi atendida pelo médico de Recife por meio do Hangouts, do Google. “Marquei a consulta pelo WhatsApp e fui atendida pelo aplicativo que o médico recomendou. Tivemos um probleminha técnico…o som estava baixo. Tirando isso, ele foi tentando entender minha doença numa linha do tempo. Correu tudo bem”, conta Testoni.

Já a psiquiatra do Paraná conta que tentou algumas plataformas, mas a videochamada do WhatsApp é que atendeu sua demanda e expectativa. “Não sinto delay nessa opção, mas gostei também de usar o Teams [site de reuniões da Microsoft]”, diz a médica Douverny, que usa plataforma Memed de prescrição digital.

Porém, no caso da prescrição de Cannabis, médicos tem enviado as receitas e relatórios scanneados ou fotografados. Isso porque sistema como do da Anvisa (Agência Nacional de Vigiância Sanitária) solicita a prescrição médica digital na hora do preenchimento da solicitação de importação dos produtos à base de Cannabis para tratamento médico. Associações e representantes de marcas internacionais também trabalham com o processo digitalizado da documentação.

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