A fórmula mágica dos fertilizantes e a produção de canabinoides

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Jordão trata dos nutrientes que podem gerar maiores quantidades de canabinoides, recorrendo a diversos estudos e casos práticos para apresentar suas conclusões (Foto: Divulgação/Arquivo pessoal)

Coluna de Paulo Jordão*

Sabe-se que diversas marcas de fertilizantes para Cannabis possuem em suas linhas diversos nutrientes. O que este artigo busca discutir é sobre alguns nutrientes que podem gerar maiores quantidades de canabinoides. A literatura de fertilização em Cannabis, entre 1994 e 2019, avançou em tecnologias diferentes para a produção de canabinoides. Aqui apresento apenas algumas. 

A literatura de fertilização em Cannabis, entre 1994 e 2019, avançou em tecnologias diferentes para a produção de canabinoides

A noção que o nitrogênio (N) é um elemento menos essencial na flora e que o fósforo (P) e o potássio (K) produzem mais tetrahidrocanabinol (THC) data de 1994. A pesquisa conduzida na Checoslováquia conclui que a fertilização apenas com N e K produziram mais canabidiol (CBD), e que a fertilização apenas com P e K produziram mais THC. 

Esta noção de 1994 avançou com o tempo buscando outros nutrientes ou potencializadores do crescimento para plantas de Cannabis. Em 2018, na Itália, pesquisadores concluíram que as rizobactérias são agentes de promotoras do crescimento de Cannabis e que, durante a fase de floração, podem render as mesmas taxas de produção de canabinoides de compostos químicos como o nitrogênio. 

Em 2018, na Itália, pesquisadores concluíram que as rizobactérias são agentes de promotoras do crescimento de Cannabis e que, durante a fase de floração, podem render as mesmas taxas de produção de canabinoides de compostos químicos como o nitrogênio

Outra descoberta sobre a produção de canabinoides foi realizada em 2019 no Canadá. Pesquisadores concluíram que plantas que são expostas a um tratamento de fertilização mais rica em N na fase vegetativa obtiveram maior concentração de THC. Esta pesquisa aponta ainda que fungos e bactérias promotoras de crescimento podem potencializar a produção de metabolitos secundários como os canabinoides e terpenos.

Além de fungos e bactérias promotores do crescimento, existem ainda diversos nutrientes que podem potencializar a produção de canabinoides com os ácidos húmicos (AH). Em 2019 pesquisadores em Israel concluíram que os AH potencializam a absorção de N, P e K. 

Além de fungos e bactérias promotores do crescimento, existem ainda diversos nutrientes que podem potencializar a produção de Canabinoides com os ácidos húmicos (AH)

Para os pesquisadores de Israel, tratamentos só com P podem reduzir em 16% a concentração de THC nas folhas. Outra conclusão está relacionada com a suplementação somente com NPK que pode aumentar a concentração de CBG em 71% e diminuir a concentração de CBN nas flores em 38%. Já o tratamento apenas com AH, diminui a concentração de THC em 37% e CBD em 39% nas flores.

No Brasil, existem fertilizantes comercializados que se apoiam nas tecnologias desenvolvidas por acadêmicos e em práticas privadas de plantio. A empresa Fat Crystal possui alguns produtos que não usam nitrogênio em sua fórmula, como na pesquisa da Checoslováquia aqui citada. A Fat Crystal acrescenta ácido húmico em seus produtos, assim como sugerido pelos pesquisadores de Israel. 

O produto Bloom tem a formulação de NPK 0-9-8. A empresa ainda sugere outro fertilizante, um booster para a flora com o nome de Final com a formulação de NPK de 0-0-50 enriquecido com extratos húmicos, complexo B e aminoácidos.

Já a empresa Green House Feeding inova com uma formulação única para vegetativo e flora com alto teor de nitrogênio. A empresa, com seu amplo conhecimento adquirido, disponibilizou ao mercado Brasileiro 3 diferentes formulações. 

No Brasil, existem fertilizantes comercializados que se apoiam nas tecnologias desenvolvidas por acadêmicos e em práticas privadas de plantio

O Short Flowering para plantas com o ciclo de floração de 9 semanas (NPK 16-6-26), o Hybrids para plantas com o ciclo de floração de 10 semanas (NPK 15-7-22) e o Long Flowering para plantas com o ciclo de floração de 13 semanas de (NPK 18-12-18). A Green House feeding sugere também um booster com a formulação de NPK de 0-30-27 a partir da terceira semana. 

Embora as empresas usem estratégias de diferentes em relação à concentração de nitrogênio, ambas concordam em usar potencializadores de Flora ricos em K e oferecem em seus portfólios de produtos agentes biológicos para a flora como sugerido pelos pesquisadores da Itália, e ácidos húmicos como sugerido pelos pesquisadores de Israel.

As novas tecnologias de fertilização aqui apontadas, sugerem que o incremento de produção de canabinoides pode ser obtido com a adição de formulações diferentes de N, P, e K, de rizobactérias e ácidos húmicos

 A Fat Crystal possui a Flora Microbes, uma combinação de rizobactérias (Bacillus de diferentes cepas) que são utilizadas para potencializar a solubilização de micronutrientes. A Green House Feeding oferece o Bio Enhancer, uma formulação rica em ácidos húmicos e fúlvicos e de algas marinhas. 

As novas tecnologias de fertilização aqui apontadas, sugerem que o incremento de produção de canabinoides pode ser obtido com a adição de formulações diferentes de N, P, e K, de rizobactérias e ácidos húmicos. Cada uma das marcas de fertilizantes possui sua fórmula mágica para a produção de canabinoides. Resta aos consumidores apontarem quais produzem melhores resultados.

Referências bibliográficas:

¹  Hanus, L., Dostálová, M. (1994) The effect of soil fertilization on the formation and the amount of cannabinoid substances in Cannabis sativa L. in the course of one vegetation period, – Acta Universitatis Palackianae Olomucensis Facultatis Medicae, V. 138,,5-11.

²  Pagnani, G., Pellegrini, M., Galieni, A., D’Egidio, S., Matteucci, F., Ricci, A., Stagnari, F., Sergi, M., Sterzo, C., Pisante, M., Del Gallo, M., (2018). Plant growth-promoting rhizobacteria (PGPR) in Cannabis sativa ‘Finola’ cultivation: An alternative fertilization strategy to improve plant growth and quality characteristics. VL  123, DOI  – 10.1016/j.indcrop.2018.06.033, Industrial Crops and Products.

³  Backer, R., Schwinghamer, T., Rosenbaum, P., McCarty, V. , Eichhorn Biilodeau, S., Lyu, D., Ahmed, B., Robinson, W., Lefsrud, M., Wilkins, O., Smith, D., (2019) Closing the Yield Gap for Cannabis: A Meta-Analysis of Factors Determining Cannabis Yield, v. 10, DOI  – 10.3389/fpls.2019.00495, Frontiers in Plant Science.

⁴  Bernstein N, Gorelick J, Zerahia R and Koch S (2019) Impact of N, P, K, and Humic Acid Supplementation on the Chemical Profile of Medical Cannabis (Cannabis sativa L). Front. Plant Sci. 10:736. doi: 10.3389/fpls.2019.00736

*Paulo Jordão é doutor em Administração, professor da Universidade Federal do Piauí, sócio da Cannapi e colunista do Sechat.

As opiniões veiculadas nesse artigo são pessoais e de responsabilidade de seus autores.

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