Chegou a hora dessa gente bronzeada mostrar seu valor

Compartilhe:

Compartilhar no facebook
Compartilhar no twitter
Compartilhar no linkedin
Compartilhar no whatsapp
Como contra-argumento àqueles que acreditam que a aprovação do PL 399/2015 irá facilitar o acesso à cannabis de uso adulto, Lessa exemplifica que, nos Estados Unidos, a Lei Seca de 1920 não diminuiu o consumo entre a população, sendo uma proibição falha (Foto: Arquivo pessoal)

Coluna de Wilson Lessa*

Não estou falando sobre a Copa América. Mas sobre a responsabilidade que a Câmara dos Deputados terá no próximo dia 08 de junho de 2021, quando votam sobre a PL 399/2015, tema que necessita de regulamentação há pelo menos 15 anos.

Qualquer um que tenha parado para ler honestamente o Projeto de Lei 399/2015, com todas as suas alterações, percebe que não se trata da Legalização da Maconha, muito menos sobre o seu plantio  indiscriminado em todo o território nacional. 

Esse PL 399 vem na realidade sanar uma lacuna regulamentar da Lei 11.343 de 2006.

Esse PL 399 vem na realidade sanar uma lacuna regulamentar da Lei 11.343 de 2006, que já trazia a possibilidade do uso da Cannabis para fins médicos e de pesquisa, tão somente, como é a Lei que poderá ser votada no próximo dia 08 de junho.

Soma-se a isso, a RDC 327 2019 da ANVISA, que regulamenta sobre os produtos à base de Cannabis, que permite aprovação temporária de cinco anos enquanto são realizados estudos clínicos ou utilizados estudos de alto impacto em outros países. Essa RDC 327 não aprovou e nem regulamentou o plantio em solo brasileiro.

A descoberta do sistema endocanabinoide ao longo dos anos 1990 e a sua relação de maestro em diversos sistemas fisiológicos e que sua modulação poderia ter influência positiva no tratamento de diversas patologias ao longo do início do século XXI, fez com que hoje, mais de 50 países possuem regulações dos Cannabinoides (não somente o Canabidiol) e estimulam a pesquisa, e nem por isso, a maioria possui regulamentações para outras finalidades que não a medicinal.

Este sim é o tipo de jogo que não queremos estar de fora, nem muito menos repetir um 7×1 para a mesma Alemanha, Israel, Canadá, França, Reino Unido, Itália ou mesmo países mais rígidos como o Irã e Japão.

Um país especificamente me chama a atenção nesse processo de medicalização da Cannabis, Israel. Trata-se de um país pequeno, em conflitos constantes e com escassez de água bem conhecida. Fizeram questão de criar uma Agência de Cannabis Medicinal em 2013 e regulamentar todos os processos de produção até a medicação final e treinamento dos médicos sobre o sistema endocanabinoide e aplicações clínicas, além de serem o berço de dezenas de startups sobre o tema. O plantio pra eles é crucial e mais de 500 variedades são pesquisadas com possibilidades terapêuticas.

Israel permite que os médicos prescrevam primariamente para 12 condições clínicas e para um especialista, permite prescrever para qualquer patologia  que ele considera uso compassivo. 

Cotas de cultivo, prerrogativa de CNPJ, sistema de vigilância e supervisão externa bem amarrada e plantas “chipadas” e rastreadas.

O modelo de regulamentação da PL 399, ao contrário do que se publica em algumas redes sociais, é extremamente restritivo. Cotas de cultivo, prerrogativa de CNPJ, sistema de vigilância e supervisão externa bem amarrada e plantas “chipadas” e rastreadas.

Faço um apelo especial nesse momento aos nossos Parlamentares:

Esqueçam por um minuto as eleições e as pesquisas eleitorais Excelentíssimos Deputados Federais. Trata-se de um início de reparação histórica sobre a Diamba ou Liamba que os irmãos Africanos trouxeram para cá, muitas vezes escondendo as sementes em bonecas de pano durante a viagem marítima, e que muito os ajudaram no alívio dos traumas físicos e dos emocionais.

Esse conhecimento medicinal foi passado para os indígenas e chegou aos sertanejos Brasil à dentro como uma poderosa ferramenta medicinal, até que foi estigmatizada e proibida.

Sejam corajosos nobres Deputados, lembrem-se da Parábola do Bom Samaritano, que não perguntou: quem é o meu próximo ? Mas, prontamente foi o próximo e  ajudou quem precisava. 

A medicação importada e a nacional tem o custo altíssimo (1 mil a 2,5 mil R$), o SUS já disse que  não vai custear o CBD da Prati-Donaduzzi. 

E para aqueles que insistem no argumento que vai aumentar o uso e consumo da Maconha no Brasil, trago dois argumentos. A Lei Seca entre 1920-1933 nos Estados Unidos, não diminuiu o consumo entre a população e criou as conhecidas máfias. O outro argumento, é que não conheço ninguém que está esperando a Cannabis ser legalizada no Brasil para poder  enrolar um baseado e fumá-lo livre de tipo penal.

Temos que parar de tratar usuários como criminosos.

Temos que parar de tratar usuários como criminosos. É uma questão de saúde pública e de uma guerra às drogas que nasceu para pessoas e máfias, menos para as drogas.

Chegou a hora, nobres Parlamentares, de mostrar seu valor. O PL 399 separa o joio do trigo e não aprová-lo, além de demonstrar falta de empatia e análise racional, a cada dia, dificulta o alívio de sintomas de pessoas que sofrem e que estão sem alternativas.

Existem momentos em que a poesia nos auxiliam a fechar um recado, e desse modo me permito parafrasear os Titãs: Maconha e Polícia para quem precisa. PL 399 SIM!!! 

*Wilson Lessa é Médico Psiquiatra, Psiquiatra Forense, professor da faculdade de Medicina da UFRR (Universidade Federal de Roraima) e colunista do Sechat.

As opiniões veiculadas nesse artigo são pessoais e de responsabilidade de seus autores.

Veja outros artigos de nossos colunistas:

Alex Lucena 

– Inovação e empreendedorismo na indústria da Cannabis (19/11/2020)

– Inovar é preciso, mesmo no novo setor da Cannabis (17/12/20)

 Sem colaboração, a inovação não caminha (11/02/2021)

Bruno Pegoraro

– A “legalização silenciosa” da Cannabis medicinal no Brasil (31/03/2021)

 Por mais projetos de lei de Cannabis Medicinal (17/05/2021)

Fabricio Pamplona

– Os efeitos do THC no tratamento de dores crônicas (26/01/2021)

 Qual a dosagem ideal de canabidiol? (23/02/2021)

– CBD: batendo na porta da psiquiatria (05/04/2021)

– Está comprovado: terpenos e canabinoides interagem diretamente com mecanismo canabinoide (27/04/2021)

Fernando Paternostro

– As multifacetas que criamos, o legado que deixamos (11/3/2021)

– Vantagem competitiva, seleção natural e dog years (08/04/2021)

– Comunidade, maturidade, elasticidade: o ecossistema canábico em plena expansão (06/05/2021)

(R)Evolução (04/06/2021)

Jackeline Barbosa

 Cannabis, essa officinalis (01/03/2021)

– A Cannabis feminina (03/05/2021)

Ladislau Porto

– O caminho da cannabis no país (17/02/2021)

– Associações x regulação x Anvisa x cannabis (26/04/2021)

Luciano Ducci

– Vão Legalizar a Maconha? (12/04/2021)

Mara Gabrilli

– A luta pela Cannabis medicinal em tempos de cloroquina (23/04/2021)

Marcelo de Vita Grecco

– Cânhamo é revolução verde para o campo e indústria (29/10/2020)

– Cânhamo pode proporcionar momento histórico para o agronegócio brasileiro (26/11/2020)

– Brasil precisa pensar como um país de ação, mas agir como um país que pensa (10/12/2020)

– Por que o mercado da cannabis faz brilhar os olhos dos investidores? (24/12/2020)

– Construção de um futuro melhor a partir do cânhamo começa agora (07/01/2021)

– Além do uso medicinal, cânhamo é porta de inovação para a indústria de bens de consumo (20/01/2021)

 Cannabis também é uma questão de bem-estar (04/02/2021)

– Que tal CBD para dar um up nos cuidados pessoais e nos negócios? (04/03/2021)

– Arriba, México! Regulamentação da Cannabis tem tudo para transformar o país (18/03/2021)

– O verdadeiro carro eco-friendly (01/04/2021)

– Os caminhos para o mercado da cannabis no Brasil (15/04/2021)

– Benchmark da cannabis às avessas para o Brasil (29/04/2021)

– Registros e patentes “made in Brazil” (13/05/2021)

– Consumidores de OTC estão de braços abertos para a cannabis (27/05/2021)

Maria Ribeiro da Luz

– Em busca do novo (23/03/2021)

– A tecnologia do invisível (20/04/2021)

– A pegada do cânhamo (18/05/21)

Patrícia Villela Marino

– Nova York, cannabis, racismo e prisão (28/04/2021)

Paulo Jordão

– O papel dos aparelhos portáteis de mensuração de canabinoides (08/12/2020)

– A fórmula mágica dos fertilizantes e a produção de canabinoides (05/01/2021)

– Quanto consumimos de Cannabis no Brasil? (02/02/2021)

 O CannaBioPólen como bioindicador de boas práticas de cultivo (02/03/2021)

– Mercantilismo Português: A Origem da Manga Rosa (06/04/2021)

– O cânhamo industrial, as barreiras comerciais e o substitutivo do PL 399/2015 (04/05/2021)

Pedro Pierro

– Qual nome devemos usar? (05/05/2021)

Pedro Sabaciauskis

– O papel fundamental das associações na regulação da “jabuticannábica” brasileira (03/02/2021)

 Por que a Anvisa quer parar as associações? (03/03/2021)

– Como comer a jabuticannabica brasileira? (13/04/2021)

– 21 de abril nasce a Fact; e nasce berrando (14/05/2021)

O cenário cannábico do Brasil: de um lado o circo político dos horrores; do outro, o circo da sociedade civil cheio de estrelas (02/06/2021)

Ricardo Ferreira

– Da frustração à motivação (03/12/2020)

– Angels to some, demons to others (31/12/2020)

 Efeitos secundários da cannabis: ônus ou bônus? – (28/01/2021)

 Como fazer seu extrato render o máximo, com menor gasto no tratamento (25/02/2021)

– Por que os produtos à base de Cannabis são tão caros? (25/03/2021)

– A Cannabis no controle da dor e outras consequências do câncer (22/04/2021)

– A Cannabis no controle da fibromialgia (20/05/2021)

Rodolfo Rosato

– O Futuro, a reconexão com o passado e como as novas tecnologias validam o conhecimento ancestral (10/02/2021)

– A Grande mentira e o novo jogador (10/3/2021)

– Mister Mxyzptlk e a Crise das Terras Infinitas (14/04/2021)

– O prejuízo da proibição (12/05/2021)

Rogério Callegari

– Sob Biden, a nova política para a cannabis nos EUA influenciará o mundo (22/02/2021)

– Nova Iorque prestes a legalizar a indústria da cannabis para uso adulto (17/03/2021)

– Canadenses gastam mais de 2 bilhões de dólares em Cannabis em 2020 (19/05/2021)

Solange Aparecida Nappo

– Qual a relação entre crack e maconha? (07/05/2021)

Stevens Rehen

 Cannabis, criatividade e empreendedorismo (12/03/2021)

– Inflamação, canabinoides e COVID (11/05/2021)

Waldir Aparecido Augusti

– Busque conhecer antes de julgar (24/02/2021)

– Ontem, hoje e amanhã: cada coisa a seu tempo (24/03/2021)

Wilson Lessa

– O sistema endocanabinoide e os transtornos de ansiedade (15/12/2020)

– O transtorno do estresse pós-traumático e o sistema endocanabinoide (09/02/2021)

– Sistema Endocanabinoide e Esquizofrenia (09/03/2021)

– O TDAH e o sistema endocanabinoide (16/04/2021)

– Sistema Endocanabinoide, sono e transtornos do sono (10/05/2021)

Compartilhe:

Compartilhar no facebook
Compartilhar no twitter
Compartilhar no linkedin
Compartilhar no whatsapp

ASSINE NOSSA NEWSLETTER PARA RECEBER AS NOVIDADES

ASSINE NOSSA NEWSLETTER
pt_BRPortuguese
pt_BRPortuguese