Consumidores de OTC estão de braços abertos para a cannabis

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Para o colunista, o segmento de produtos OTC que incluem canabinoides em sua composição é um dos mais promissores (Foto: Divulgação/Arquivo Pessoal)

Coluna de Marcelo De Vita Grecco*

A indústria legal da cannabis vai muito além do uso medicinal e do uso adulto. As dimensões de agronegócio e de aplicações industriais tem horizontes infinitos para novos negócios. Além disso, tem uma vertente em franca evolução relacionada ao bem-estar. Nessa dimensão, estão suplementos, alimentos funcionais, bebidas com infusão, óleos corporais, cremes, produtos de aplicação em spray, entre tantos outros. Esse conjunto de itens entram na classificação de over the conter (OTC), ou seja, são os artigos que você não precisa de prescrição médica para comprar.

O segmento de produtos OTC que incluem canabinóides em sua composição é um dos mais promissores.

O segmento de produtos OTC que incluem canabinóides em sua composição é um dos mais promissores. Normalmente, o consumo é motivado por comportamentos enraizados no estilo de vida da pessoa e segue hábitos regulares. Temos nessa conjuntura ótimo ponto de partida para o relacionamento entre marcas desse setor e consumidores. Como já abordei muito a perspectiva dos empreendedores, trago à tona nesta coluna a visão do shopper.

Em diversos momentos, já abordei os potenciais de negócios para vários setores. Porém, sabemos que não existe mercado sustentável sem demanda. E, nesse sentido, nada melhor do que conhecer o pensamento das pessoas em relação aos OTCs à base de cannabis. Desta forma, vamos explorar dados de pesquisa específica, com esse foco.

Divulgado em meados de 2019, o estudo “What OTC Consumers Think About Cannabis”, conduzido nos Estados Unidos pela NielsenIQ, área direcionada a análises sobre o comportamento dos consumidores, aponta que 34% dos adultos acima de 21 anos estão interessados em consumir produtos legalizados à base de cannabis. Esse número já sinalizava abertura significativa e deve ser ainda maior hoje, considerando que mais estados regulamentaram o ambiente para a indústria legal da cannabis, bem como a chegada de mais produtos com canabidiol (CBD) em sua composição às redes de varejo mais importantes.

Entre os entrevistados, os principais motivos para a propensão ao consumo envolvem tratamentos, prevenção e bem-estar em geral. A pesquisa da NielsenIQ abrange tanto produtos com tetrahidrocanabinol (THC), quanto as composições com CBD derivado do cânhamo. Esses últimos entraram no radar de muitos consumidores norte-americanos devido à atenuação de uma série de sintomas, incluindo dores crônicas, ansiedade e problemas no sono.

No total, 40% das pessoas que sofrem de dor de cabeça se mostram interessadas na cannabis. Foi constatado o mesmo percentual de interesse entre os impactados por dores de artrite e artrose.

De acordo com esse levantamento, algumas condições apareceram com mais intensidade entre as pessoas dispostas a recorrer aos OTCs à base de cannabis. No total, 40% das pessoas que sofrem de dor de cabeça se mostram interessadas na cannabis. Foi constatado o mesmo percentual de interesse entre os impactados por dores de artrite e artrose. No caso de dores nas regiões das costas e pescoço, 41% daqueles que lidam com esses problemas estão inclinados a usar medicamentos OTC ou de receituário simplificado.

Gatilhos da mudança de comportamento

O levantamento da NielsenIQ também trouxe à tona algumas percepções entre os entrevistados que os compelem a considerar a cannabis como alternativa para tratamentos ou prevenção em uma rotina de saúde e bem-estar.

Para 70% dos participantes, existe a percepção de que produtos com canabinóides em sua composição seriam mais efetivos do que outras opções. Além disso, 67% consideram a cannabis mais saudável em relação a outros produtos da categoria OTC ou de receituário simples. Já 69% entendem que os OTCs com cannabis são mais naturais. Esses dados mostram o valor agregado percebido na cannabis e isso é ainda mais relevante se pensarmos que o mercado é, praticamente, recém-nascido. Ou seja, há grande parcela do público que ainda precisa ser impactado com conteúdo educativo sobre a cannabis e seus benefícios.

Pouco menos de 50% dos respondentes alegaram menor preço ou melhor relação custo-benefício como gatilho da propensão a consumir OTCs com canabinóides em sua composição.

De fato, há grande espaço aberto para a evolução de OTCs com cannabis, incluindo suplementos, alimentos e bebidas, além de itens de uso tópico, como cremes e loções e balms, entre outros. Outro ponto importante é que quando analisamos hábitos do público mais interessado em saúde e bem-estar não há diferenças tão significativas entre o pensamento dos norte-americanos e dos brasileiros, embora existam disparidades na média de poder aquisitivo e na facilidade de acesso aos produtos.

Entretanto, se você ainda pensa nos OTCs como algo distante, veja o exemplo da norte-americana Purely CBD. A empresa texana focada em produtos à base de óleo puro de CBD, voltados ao bem-estar físico e mental, lançou um site em português no começo do ano, para o cadastro de empreendedores interessados na reserva de praças para a abertura de lojas quando o mercado estiver legalizado.

Quando isso acontecer, sairá na frente quem está se movimentando desde já. E se depender de abertura do público para demanda e engajamento com os produtos, os OTCs com canabinóides vão prosperar muito e mais rápido do que se imagina.

*Marcelo De Vita Grecco é cofundador, head de Negócios da The Green Hub e colunista do Sechat

As opiniões veiculadas nesse artigo são pessoais e de responsabilidade de seus autores.

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