Governo uruguaio quer a Cannabis tão importante na economia como a carne

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Valéria França

Depois de 15 anos de governo progressista, quando o centro-direitista Luis Lacalle Pou assumiu a presidência do Uruguai, em fevereiro, muitos acharam que os negócios da Cannabis estavam ameaçados. Mas o governo vem contrariando às expectativas ao divulgar a intenção de aumentar o peso da Cannabis nas exportações a ponto de compará-la à carne.

“Essa declaração de intenção faz parte da estratégia de comunicação, um gesto importante para fortalecer as novas diretrizes do governo”, explica Marco Algorta, presidente da Câmara de Empresas de Cannabis Medicinal do Uruguai.

Os trabalhos neste sentido já começaram. “Uma comissão pública-privada para incentivar o setor da Cannabis foi autorizada no início de julho”, diz Algorta, eleito um dos integrantes do grupo. A decisão foi registrada em um documento do Uruguai XXI, agência oficial do governo de promoção de investimentos, exportações e imagem.

O 1º país latino-americano a exportar Cannabis medicinal

O ano passado foi um marco para a economia uruguaia. Em setembro, a empresa Fotmer Life, subsidiária da Silverpeak, que administra a subsidiária no Uruguai, exportou 10 toneladas de flores de Cannabis medicinal com alto teor de THC. Com isso, o país foi o primeiro na América Latina a entrar para o seleto clube de exportadores de Cannabis, que incluem nações como Holanda e Alemanha. Em maio, a Fotmer Life vendeu 1,5 toneladas de flores para Portugal.

A negociação fez com que o Uruguai fechasse o semestre com US$ 7 milhões em exportações no setor. A Fotmer Life está autorizado a exportar até 150 toneladas de flores secas por ano.

Potencial dos negócios

Segundo Algorta, o Uruguai tem um potencial maior do que o alcançado em 2019. “Existe hoje um estoque de 100 milhões de toneladas de flores secas e biomassa. O quilo está por volta de US$ 1.500″, diz Algorta. Um recurso parado em um época de crise mundial, devido a pandemia da Covid-19. “A exportação é urgente para o Uruguai”, afirma o presidente da Câmara de Empresas de Cannabis medicinal. Segundo ele, há 42 indústrias licenciadas no país. Deste total, 80% tem capital nacional.

Um dos maiores desafios é a exportação de Cannabis medicinal com alto THC, devido às restrições das normas internacionais para impedir o tráfico. Esse é um nicho de mercado que começa a se abrir e com um potencial de cinco anos, quando deve ser inundado por uma alta demanda de mercadoria, de acordo com especialistas. Dá para entender bem a pressa do Uruguai, país com 176.215 km2 de extensão territorial, que é menor do que o estado de São Paulo (248.209 km2).

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