InCor faz o primeiro estudo científico do uso de CBD no tratamento de insuficiência cardíaca

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O Incor é um hospital público universitário de alta complexidade, especializado em cardiologia, pneumologia e cirurgias cardíaca e torácica (Foto: Arquivo HCFMUSP)

Curadoria e edição de Sechat Conteúdo, com informações de FMUSP

A insuficiência cardíaca atinge 2% da população do mundo. Doença grave e crônica, ela é principal causa de morte cardiovascular no Brasil, representando 27% dos óbitos nacionais. Atualmente, devido às novas tecnologias aplicadas na área cardíaca, a taxa de sobrevida dos pacientes é maior que no passado. Mas essa melhora não se refletiu, na mesma proporção, na qualidade de vida das pessoas que sofrem com a doença.

Vale lembrar que os doentes com insuficiência cardíaca, muitas vezes, não possuem fôlego para fazer coisas simples do cotidiano, como tomar banho, subir escadas e até comer, reduzindo a qualidade de vida. Eles necessitariam de cuidados paliativos, que dariam mais conforto físico e psíquicos.

Na busca de uma terapia coadjuvante, para aumentar justamente o bem-estar destes pacientes, o Instituto do Coração (InCor), do Hospital das Clínicas da Faculdade de Medicina da Universidade de São Paulo (FMUSP), desenvolverá o primeiro estudo científico do mundo com o CBD (o canabidiol, substância extraída da Cannabis). O objetivo é investigar se o óleo dessa substância pode melhorar as condições clínicas e psíquicas dos doentes.

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O InCor é um hospital público universitário de alta complexidade, especializado em cardiologia, pneumologia e cirurgias cardíaca e torácica. Isso quer dizer que além de ser um polo de atendimento de referência, também se destaca por ser um centro de pesquisa e ensino para a FMUSP. O Instituto conta com o suporte financeiro da Fundação Zerbini, entidade privada sem fins lucrativos, o que garante o seu caráter de excelência.

A Cannabis medicinal

Cannabis medicinal começou a ser estudada em 1970, quando o pesquisador Raphael Mechoulan, professor da Escola de Farmacologia da Faculdade de Medicinal da Universidade Hebraica de Jerusalém, descobriu o sistema endocanabinoide (neurotransmissores). Trata-se de um sistema biológico que se liga a receptores canábicos, localizados no sistema nervoso central e periférico e em células do sistema imunológico. Apesar de a maior parte estar concentrada na região cerebral e no sistema nervoso, sabe-se que os receptores também existem, em menor proporção, em outras partes do corpo, como estômago, pulmão e coração.

A planta possui dezoito canabinoides ativos, tais como o CBC, o CBG, e o CBN. Os dois mais conhecidos são o THC (tetrahydrocannabidiol), substância terapêutica, com efeitos entorpecentes e o CBD que é usado no tratamento de doenças crônicas graves, como epilepsia infantil refratária, Alzheimer, Parkinson, além de ansiedade, depressão e dor.

A pesquisa

Com apoio da empresa canadense de Cannabis medicinal Verdemed, a pesquisa começa em agosto, com um grupo de 105 pacientes do InCor, com insuficiência cardíaca, que serão acompanhados por dois anos. Metade dos pacientes receberá placebo e a outra metade o produto Canabidiol 100 mg/ml da Verdemed. Os resultados dos dois grupos serão comparados. 

Os pesquisadores

A ideia do estudo partiu do cardiologista Edimar Bocchi, professor da FMUSP e diretor do Núcleo de Insuficiência Cardíaca e Dispositivos Mecânicos para Insuficiência Cardíaca do InCor. Antes mesmo do canabidiol começar a ser importado com a Autorização da Agência de Vigilância Sanitária (Anvisa), em 2015, o médico já havia acompanhado paciente com doença cardíaca, que usava o CBD como coadjuvante no tratamento para melhorar a qualidade de vida.

O CBD pode melhorar a qualidade de vida dos pacientes, mas queremos fazer o estudo científico para medir este impacto positivo e ainda verificar se há mudanças no quadro clínico geral. Até hoje não se tem notícia de nenhum estudo científico sobre o tema no mundo.

Edimar Bocchi

Ele divide a autoria da pesquisa com o também cardiologista Bruno Biselli, especialista em insuficiência cardíaca e transplante do coração pelo InCor HC-FMUSP, médico assistente da Unidade de Insuficiência Cardíaca do InCor, da Unidade de Transplante Cardíaco e da Unidade Avançada de Insuficiência Cardíaca do Hospital Sírio Libanês.

“Acredito que o CBD possa ajudar muito na qualidade de vida desses pacientes”, diz Biselli.

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Verdemed investe em ciência como caminho para o desenvolvimento de novas terapias

“O Brasil precisa realizar mais pesquisas sobre os benefícios da Cannabis medicinal. Colaborar com o avanço científico na área é uma oportunidade única para a Verdemed”, diz o presidente da empresa, José Bacellar. Brasileiro radicado em Toronto, ele é conhecido no mercado pelo caráter arrojado no mundo dos negócios.

No Brasil, ele foi presidente da Bombril e empreendedor da indústria farmacêutica. Na Inglaterra, trabalhou como CEO da Beckley Canopy Therapeutics e, no Canadá, como Business Development Latam da Canopy Growth, uma das maiores empresas de Cannabis do mundo, com ações da bolsa de Nova York.

José Bacellar Presidente & CEO Verdemed

Bacellar fundou a Verdemed em 2018, preparando a empresa para focar no mercado medicinal da América Latina, que começava a se expandir. Entre 2019 e 2021, a ideia atraiu um grupo de investidores experientes e qualificados, como Hélio Seibel, acionista da Duratex e Leo Madeira, e Décio Goldfarb, acionista das Casas Marisa, dando outro fôlego à startup.

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 Atualmente a empresa tem cinco linhas de produtos exportados para os principais países da América Latina, inclusive o Brasil. A Verdemed está em vias de ter o registro dos produtos de Cannabis aprovados pela Anvisa. Muito em breve, deve colocar seus produtos nas prateleiras das farmácias. Enquanto isso, investe na ciência como o melhor caminho para o desenvolvimento de novas terapias.

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