Morre o psiquiatra Cesar Parga Rodrigues

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"Foi um dos mais empolgados, entusiastas e disruptivos contra o preconceito (em relação ao uso medicinal da cannabis)", lembra o psiquiatra Wilson Lessa (Foto: Divulgação/Apepi)

Charles Vilela

O psiquiatra Cesar Augusto Parga Rodrigues, 82 anos, faleceu na madrugada de hoje (16) no Rio de Janeiro, vítima da Covid. Após contrair o coronavírus, ele ficou internado por mais de dois meses, tendo sido intubado. “Foi um dos mais empolgados, entusiastas e disruptivos contra o preconceito (em relação ao uso medicinal da cannabis)”, lembra o psiquiatra Wilson Lessa, professor da faculdade de Medicina da UFRR (Universidade Federal de Roraima) e colunista do Sechat. “O conheci em um evento no Rio de Janeiro no início de 2019, depois nos encontramos pessoalmente mais umas duas ou três vezes em eventos canábicos.”

Rodrigues chegou a apresentar sinais de recuperação, mas sequelas agravaram o caso, entre elas a necessidade da realização de hemodiálise. 

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Depois de conhecer os benefícios da cannabis medicinal por meio do uso por familiares, o psiquiatra passou a prescrever a seus pacientes. Muito rapidamente, ele passou a ser referência na cidade, sendo reconhecido na classe médica entre os prescritores. Ele foi contemporâneo da psiquiatra Nise da Silveira (1905-1999), pioneira na terapia ocupacional, introduzido no Centro Psiquiátrico Pedro II, no Rio de Janeiro. 

Nos últimos anos ele acompanhava de perto o trabalho da Apepi (Associação de Apoio à Pesquisa e Pacientes de Cannabis Medicinal). “Ele encontrou a gente em um ato público na Candelária e, a partir daí conheceu o nosso trabalho e a militância e isso reacendeu uma luz na vida dele por meio do trabalho com a cannabis”, lembra emocionada a fundadora da entidade Margarete Brito. “Ele atendia muita gente, atendia quem precisava sem cobrar nada.”

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Em entrevista ao jornal Folha de S. Paulo publicada em outubro de 2019, o psiquiatra falou sobre a capacidade de os canabinoides melhorarem a qualidade de vida dos idosos. “Eu prescrevo para quem tem doença e para quem não tem, mas se queixa de tristeza, tédio. Melhora muito a qualidade de vida, harmoniza a pessoa por inteiro”, disse ele à época, relatando casos de sucesso no tratamento de parkinson e alzheimer. “Há uma melhora nítida nos tremores. Nas demências, o paciente fica menos agitado, mais em paz, volta a participar da vida familiar.”

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Em comunicado publicado em uma rede social, o neto Pedro Alexandrino Martins lamenta o falecimento do avô. “Era um cara super legal, músico, exímio nadador: atravessava a nado a praia de Copacabana como ninguém”, disse. “Foi um dos pioneiros nos tratamentos com cannabis no Brasil.” Segundo Margarete, ele estava bastante empolgado com a possibilidade de também tratar pessoas saudáveis com maconha. “Ele era inteligente, profundo, ele era uma pessoa à frente do seu tempo”, lembra Margarete. 

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