Medicina Integrativa não despresa diagnóstico.

O médico integrativo durante uma anamnese, observa e analisa muitos aspectos envolvidos no adoecer do indivíduo.

Publicada em 07/12/2023

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A nomenclatura “Medicina Integrativa”, trazida primeiramente pelo Dr. Andrew Weil  nos Estados Unidos em 1990, compactua com o conceito de integrar as práticas complementares, terapias alternativas e outras medicinas ancestrais e populares, com a alopatia. Não se trata de uma especialidade médica. Diferentemente do conceito da medicina alternativa surgido na contra-cultura, a medicina integrativa não descarta ou subjuga o diagnóstico, metodologias e tratamentos da medicina ocidental. A Integratividade provoca a inclusão das diferenças, dos vários aspectos do indivíduo humano, bem como uma reformulação na forma como o ser humano é acolhido e tratado em suas enfermidades. Na corrente ativista da medicina integrativa há uma reivindicação de estudos científicos para embasar e respaldar as práticas complementares e tecnologias ancestrais.

A luta do Dr. Weil trouxe resultados, e desde 1991, os Estados Unidos contam com  o Centro Nacional de Saúde Complementar e Integrativa (NCCIH). Uma agência governamental que explora a medicina complementar e alternativa (CAM) e promove investimentos para desenvolvimento de pesquisas norte-americanas nessa área. Através de investigação científica rigorosa, a NCCIH visa definir a utilidade e segurança das intervenções complementares e integrativas, seu papel na melhoria da saúde e da assistência em saúde.

A medicina integrativa se ancora na consciência da co-responsabilidade do enfermo em se curar. Uma inovação na conservadora postura hierárquica do médico. Há uma parceria do médico e seu paciente para a manutenção da saúde, onde a empatia, a paciência e a humanização no atendimento são essenciais. O paciente deixa de receber passivamente o tratamento para uma doença e passa a participar ativamente no processo, como ator principal de sua própria saúde. Para tanto, alguns profissionais defendem o termo ‘’interagente’’ ao invés de paciente ou cliente, a fim de ancorar a ressignificação dessa passividade, sem pendular para a mercantilização. Afinal, a saúde não é um produto, e sim um direito de todos, e um dever do Estado.

O médico integrativo durante uma anamnese, observa e analisa muitos aspectos envolvidos no adoecer do indivíduo. Durante a formação, através da histologia, fisiologia, embriologia, patologia, biologia molecular celular, um estudante de medicina vai construindo seu raciocínio sobre o ser humano são e adoecido. Sistemas, órgãos, células, suas reações enzimáticas, muitos detalhes relevantes sobre o corpo físico, enquanto outros aspectos do ser são abordados com superficialidade. Contudo na vida, o médico recém formado logo percebe que são muitos outros fatores envolvidos no adoecimento. Tenta aplicar os protocolos aprendidos, porém sem preparo para uma abordagem multifatorial, é comum se deparar com respostas insatisfatórias,  e o sentimento de frustração e desânimo.

O ser humano completo é muito mais que seu corpo físico, órgãos e sistemas, ele possui ainda os corpos: emocional, mental, e espiritual (energético), que apesar de divididos didaticamente, estão intrinsecamente interligados. O Ser Humano completo também  interage a todo instante com os fatores externos, ambientais, sociais, familiares, culturais, globais e universais. O que amplifica a complexidade etiológica de cada adoecimento.

A separação é uma ilusão. É preciso entender que enquanto o separatismo é uma ferramenta didática, que garante o entendimento aprofundado de cada parte ou especialidade, a integratividade visa acolher a complexidade do ser humano como um todo, na sua vida diária.

Muito mais do que defender a relevância e o acesso às práticas complementares no tratamento, a medicina integrativa visiona uma necessária revolução no sistema de saúde ocidental, onde os profissionais ‘’da doença’’ passam a ser profissionais da saúde. Humildemente, Andrew Weil, nega ter sido o inventor da medicina integrativa, mas afirma ter dado um termo que melhor representaria este propósito, e cita alguns de seus professores que o inspiraram nesse caminho, nos anos 90. Há 12 anos atrás já salientava para um possível colapso no sistema de saúde americano, criticando os Estados Unidos por não custear a saúde de seus cidadãos, e por onerados orçamentos do estado em tecnologia e saúde, sem satisfatória resolutividade.

O Brasil é referência mundial na área de práticas integrativas e complementares na atenção básica. O Sistema Único de Saúde (SUS), nosso modelo de assistência clínica universalista, lançou as Políticas Nacionais de Práticas Integrativas Complementares, pela primeira vez através da PORTARIA Nº 971, em 03 DE MAIO DE 2006, com a inclusão da Acupuntura, Homeopatia, Fitoterapia, Termalismo no SUS. Depois de 11 anos, a Portaria Nº 849, de 27 de março de 2017, inclui 14 novas práticas na PNPIC. No ano seguinte, a Portaria n° 702, incluiu em 28 de setembro de 2017, 10 novas práticas na PNPIC. Atualmente são 29 práticas reconhecidas, e sendo praticadas na atenção básica e hospitalar. As mais recentes Portarias nº 42, de 13 de julho de 2021 e nº 43, de 11 de julho de 2023 Instituíram a Câmara Técnica Assessora em Práticas Integrativas e Complementares em Saúde (CTA-PICS) e a Câmara Técnica Assessora da Política Nacional de Práticas Integrativas e Complementares no SUS (CTA-PNPIC), respectivamente.

Outro marco legislativo relevante é a Portaria GM n.° 886, de 20 de abril de 2010, que institui a Farmácia Viva, um ramo da PIC Fitoterapia, no âmbito do Sistema Único de Saúde (SUS). Considerando que a Cannabis é uma planta medicinal, a janela “Farmácia Viva”, se torna o portal para o palco ativista do cultivo da Cannabis no SUS. Um povoado interiorano, carente e remoto, cultivando seus próprios recursos fitoterápicos a serviço da sua comunidade, na própria Unidade Básica de Saúde (UBS), é uma visão que vale a pena sonhar, meditar, acreditar, reivindicar e manifestar.

O professor Nelson Filice de Barros traz um panorama histórico interessante sobre o surgimento da Medicina Integrativa no Brasil. A linha do tempo se inicia nos anos 30 com o acolhimento da medicina popular brasileira, validando institucionalmente costumes e ferramentas populares voltadas à saúde, um primeiro marco para a fitoterapia ancestral. Nos anos 60, com a Contracultura, começam a surgir agrupamentos para questionar formas tradicionais de tratamentos em saúde, educação infantil, relacionamentos e economias. Esses movimentos culminaram na criação do conceito Medicina Alternativa em 1970, “ Por uma vida mais próxima da natureza e sem as artificialidades da vida moderna”. A partir daí começa a dicotomia: Medicina Alternativa X Medicina Ortodoxa. Em 1980, surge o conceito de Medicina Complementar.  A estratégia de mudar o nome, visou minimizar o conflito entre as duas propostas: conservadora x alternativa. Uma tentativa sem sucesso e bastante criticável, ao tentar submeter a medicina alternativa ao campo protocolar como algo marginal e complementar. Em 2000 o conceito da Medicina Integrativa, chega ao país, e logo foi incorporado na construção de paradigma, sob o princípio da inclusividade.

Muitos médicos são perseguidos por se anunciarem médicos integrativos, alguns são denunciados ao conselho por outros colegas, e vetados de seguir com essas publicações. O argumento: Não se trata de uma especialidade médica. Muitos porém, somente após serem submetidos a sindicância, e sofrerem prejuízo financeiro e moral é que conseguem esclarecer que não se trata de uma especialidade médica, e sim um conceito inovador de assistência em saúde, baseado em evidências. Hoje são muitas as associações  médicas de medicina integrativa no mundo, para instruir e apoiar seus associados, no Brasil destaca a AMIBRAS.

E qual a relação entre a Medicina Integrativa e a Medicina Canabinoide ?


É na fisiologia do sistema endocanabinoide (SEC) que encontramos a resposta. Ambas trabalham para o mesmo fim: A Homeostase, ou o equilíbrio de nossas funções orgânicas intrínsecas, na relação com o ambiente exterior. São muitas as práticas integrativas que reforçam o sistema endocanabinóide, e é evidente o impacto dos endocanabinóides e dos fitocanabinoides orgânicos na integratividade do Ser.

Como uma pedra lançada no lago, os fitocanabinoides são prescritos no foco de um tratamento, mas a reverberação em ondas desse impacto, trazem outros resultados. Calma, paz, serenidade, contentamento, alegria, disposição, tesão, relaxamento, revitalização, significado, propósito e prazer de viver, qualidade de sono, de vida e de morte, são efeitos secundários bem prevalentes no tratamento com a Cannabis Medicinal, assim como, com vivência das práticas integrativas.

Se inscreva gratuitamente numa meditação do Vipassana, medite diariamente e observe. Faça uma viagem dos sonhos para um lugar de natureza exuberante. Dance até soar ao som da música que gosta. Durma bem, receba uma massagem, um reike, um thetahealing. Respire o aroma da floresta, ou um oleo essencial. Faça uma detox alimentar, com chás herbais e alimentos orgânicos. Beba um cacau gourmet cru e secado ao Sol, na frente de uma fogueira. Contemple as estrelas. Celebre o amor com quem você ama. Faça boas escolhas, cuide da sua família. Viva bem. Leia essas palavras, feche um pouco os olhos, respire e se sinta como elas reverberam em seu Ser. Faça tudo isso e veja o que acontece com sua saúde, e sua vitalidade. Agora imagine tudo isso, associado ao tratamento com os fitocanabinoides. É sobre isso e para isso que a Uno Clinic Brasil foi fundada. Uma clínica com abordagem integrativa com experiência no tratamento e acompanhamento de pessoas  que buscam a restauração da saúde e da homeostase com os fitocanabinoides e as terapias complementares.

A Medicina Integrativa é menos invasiva, e uma interseção entre o tudo e o nada. Entre o operar ou viver com dor, entre a doença e a morte, ainda há vida, que deve ser vivida com dignidade e qualidade. A medicina integrativa combina tratamentos tradicionais e complementares considerando todos os fatores e ferramentas que promovam a saúde e bem-estar; estabelece um relacionamento de confiança entre médico e paciente; investiga as causas dos desconfortos considerando os 4 corpos (físico, mental, emocional e espiritual) e os fatores externos (ambientais, familiares, culturais, ancestrais, sociais e globais). E tudo isso baseado em evidências científicas, que com paciência e perseverança logo serão muitas.

Referências:

Rees L, Weil A. Integrated medicine. BMJ. 2001 Jan 20;322(7279):119-20. doi: 10.1136/bmj.322.7279.119. PMID: 11159553; PMCID: PMC1119398

Silva, H. K. C., & Lourenco, R. F.. (2023). Cannabinoid therapy within the Unified Health System, perspectives in relation to pain treatment. Brjp, 6, 44–48. https://doi.org/10.5935/2595-0118.20230004-en

https://bvsms.saude.gov.br/bvs/saudelegis/anvisa/2013/rdc0018_03_04_2013.html
A construção da medicina integrativa: um desafio para o campo da saúde / The construction of integrative medicine: a challenge for the field of health

Barros, Nelson Filice de

São Paulo; Hucitec; 2008. 311 p. (Saúde em debate, 172).

Monografia em Português | LILACS, Sec. Est. Saúde SP | ID: lil-655566

Biblioteca responsável: BR526.1

Localização: BR526.1; 610.696, B277c

https://bvsms.saude.gov.br/bvs/saudelegis/gm/2006/prt0971_03_05_2006.html
https://www.gov.br/saude/pt-br/composicao/saps/pics/legislacao
REVISÃO SISTEMÁTICA SOBRE A BUSCA E A EFETIVIDADE DAS PRÁTICAS DE MEDICINA INTEGRATIVA E COMPLEMENTAR EM DIFERENTES ÁREAS DA MEDICINA CONVENCIONAL THIESEN, Ana Beatriz Tavares. 1 THIESEN, Leticia de Cassia Tavares.2 MAIA, Tatiana Peres de Assis. 3, Anais do 19º Encontro Científico Cultural Interinstitucional – 2021.https://www.gov.br/saude/pt-br/centrais-de-conteudo/arquivos/praticas-integrativas-pdf