THC apresenta efeito antimicrobiano contra bactéria associada às cáries, aponta estudo científico

Pesquisa in vitro indica que o tetrahidrocanabinol inibe o crescimento do Streptococcus mutans e reduz seu potencial cariogênico, ampliando as evidências sobre a eficiência medicinal da cannabis

Publicada em 25/02/2026

THC demonstra efeito antimicrobiano contra Streptococcus mutans, bactéria associada à cárie dentária

Estudo científico publicado em 2026 aponta que o tetrahidrocanabinol (THC) apresenta atividade antimicrobiana contra o Streptococcus mutans, principal bactéria associada à cárie dentária, reduzindo formação de biofilme, produção de ácido e viabilidade ba

Um estudo científico publicado em 2026, no periódico International Dental Journal, apresenta novas evidências sobre o potencial medicinal da cannabis ao demonstrar que o tetrahidrocanabinol (THC) exerce efeito antimicrobiano relevante contra o Streptococcus mutans, principal bactéria associada ao desenvolvimento da cárie dentária.

Intitulada In Vitro Antimicrobial Effect of Tetrahydrocannabinol on Streptococcus mutans and Its Anticariogenic Potential, a pesquisa foi conduzida por um grupo internacional de cientistas e está disponível na base PubMed. O artigo foi publicado pela Elsevier Inc., e os autores declararam não possuir conflitos de interesse.

 

Metodologia e principais achados

 

O estudo avaliou, em ambiente laboratorial, a ação do THC sobre o crescimento bacteriano, a produção de ácido, a formação de biofilmes e a viabilidade celular do S. mutans. Para isso, os pesquisadores utilizaram testes padronizados de suscetibilidade antimicrobiana, além de ensaios específicos para mensurar atividade metabólica, integridade celular e produção de polissacarídeos extracelulares — componentes essenciais para a adesão bacteriana ao esmalte dental.

Os resultados indicaram que a concentração inibitória mínima (MIC) do THC foi de 2 µg/mL, com significância estatística elevada. A partir dessa concentração, o composto reduziu de forma expressiva a acidogenicidade bacteriana e inibiu mais de 90% da formação de biofilme, um dos principais fatores envolvidos na progressão da cárie.

O THC também demonstrou capacidade de reduzir a viabilidade bacteriana e a produção de polissacarídeos extracelulares (EPS) em concentrações iguais ou superiores a 1 µg/mL, comprometendo a estrutura e a funcionalidade do biofilme.

 

 

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Efeito sobre biofilmes já formados

 

Embora o estudo não tenha observado degradação da biomassa de biofilmes previamente estabelecidos, os autores identificaram redução significativa da atividade metabólica e da viabilidade das bactérias presentes nesses biofilmes, especialmente em concentrações mais elevadas de THC. Esses efeitos ocorreram de maneira dependente do tempo e da dose.

Outro achado relevante foi a observação de hiperpolarização da membrana bacteriana após poucos minutos de exposição ao THC, um mecanismo que pode estar diretamente associado à perda de viabilidade celular do S. mutans.

Conclusão dos autores

 

De acordo com os pesquisadores, o THC inibe o crescimento do Streptococcus mutans, reduz a formação de biofilmes, diminui a produção de ácido e de polissacarídeos extracelulares e compromete a viabilidade bacteriana, mesmo em biofilmes já formados. Embora não promova a degradação completa dessas estruturas, o composto reduz sua atividade metabólica, o que sugere diminuição do potencial cariogênico da bactéria. Os autores destacam que esses efeitos parecem estar relacionados à alteração do potencial de membrana induzida pelo THC.

Evidência científica em contexto

 

O estudo se insere em um corpo crescente de literatura científica que investiga os efeitos de canabinoides sobre bactérias cariogênicas, incluindo pesquisas anteriores citadas pelos próprios autores que analisaram compostos como canabidiol (CBD) e anandamida. Esses trabalhos, também conduzidos em modelos in vitro, reforçam o interesse científico no desenvolvimento de novas abordagens anticariogênicas baseadas em canabinoides, ampliando o debate sobre aplicações medicinais da cannabis na saúde bucal.

 

THC pode revolucionar o combate à cárie?

 

Cynthia de Carlo

Na avaliação da cirurgiã-dentista Cynthia De Carlo, integrante do comitê científico do Congresso Brasileiro da Cannabis Medicinal, os resultados chamam atenção pelo rigor metodológico e pelo potencial de inovação terapêutica na odontologia.

“O estudo traz evidências muito interessantes sobre o efeito do THC frente ao Streptococcus mutans, que é a principal bactéria envolvida na cárie dentária”, afirmou.

Para ela, os dados laboratoriais reforçam a relevância do achado. “Os resultados mostram que, em ambiente laboratorial, esse composto, o THC, reduziu significativamente a formação de biofilme, a produção de ácido e a viabilidade bacteriana, que são fatores ligados diretamente à progressão da cárie”, explicou.

Cynthia destacou que os achados apontam para uma nova possibilidade dentro da odontologia baseada em evidências. “Isso sugere, então, um papel super interessante do THC como um agente microbiano inovador contra a cárie.”

 

Do laboratório à vida real: o que ainda falta provar?

 

Apesar do entusiasmo, a especialista fez uma ponderação essencial. “Esses achados são super promissores, mas a gente tem que destacar que é um estudo em vidro, realizado em condições controladas de laboratório”, ressaltou.

Ela reforçou a necessidade de cautela antes de qualquer aplicação clínica. “A gente ainda não sabe esses efeitos no ambiente clínico real, ou seja, in vivo, onde a gente tem múltiplas variáveis, tem saliva, tem microbiota oral diversa, tem resposta imunológica”, alertou.

Para a cirurgiã-dentista, o impacto científico é relevante. “Esses estudos são muito importantes, têm um impacto científico muito importante, é um avanço relevante e abre caminho para explorar novas moléculas dos canabinoides combatendo a cárie”, observou.

Ainda assim, enfatizou a etapa que precisa ser cumprida antes da incorporação clínica. “A gente ainda precisa de estudos clínicos para confirmar essa eficácia, o que é muito importante com relação à segurança do THC e às aplicações odontológicas.”

 

Um novo mecanismo contra bactérias orais?

 

Outro ponto que, segundo Cynthia, merece atenção especial é o mecanismo identificado na pesquisa. “É bem interessante sempre estudos que apontam mecanismos que não são muito explorados, nesse caso, como a hiperpolarização da membrana bacteriana, que nos inspira novas estratégias terapêuticas”, pontuou.

Cynthia integra o comitê científico do Congresso Brasileiro da Cannabis Medicinal, que será realizado de 21 a 23 de maio, no Transamerica Expo Center, em São Paulo. O evento contará com o módulo Odonto Cannabis, dedicado a discutir evidências científicas, aplicações clínicas e perspectivas regulatórias do uso medicinal da cannabis na saúde bucal.