O papel dos aparelhos portáteis de mensuração de canabinoides

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Paulo Jordão informa que, atualmente, as associações compreendem que a seleção de genéticas para a produção de óleos medicinais depende de testes de perfis, mostrando um caminho para a melhoria contínua de qualidade na produção de óleos de Cannabis (Foto: Divulgação/Arquivo pessoal)

Coluna de Paulo Jordão*

A mensuração de canabinoides, ou mais comumente chamado de teste de perfil de canabinoides, é uma etapa importante na produção de medicamentos. No Brasil, associações de pacientes de Cannabis medicinal utilizam de diferentes métodos para a análise de seus medicamentos.

A Associação Abrace Esperança, por exemplo, utiliza o método de cromatografia líquida de alta pressão (HPLC), sendo este o método preferencial para a análise de canabinoides devido a sua precisão. Outras associações ou pacientes com habeas corpus (HC) usam convênios com universidades para fazer análise de seus extratos, como o projeto de extensão universitária FarmaCannabis da UFRJ, que é uma referência no auxílio de pacientes, portadores de HCs e outras instituições de pesquisa.

Os aparelhos portáteis de teste de perfis canabinoides surgem como uma terceira via para as associações de pacientes de Cannabis medicinal. Estes aparelhos são de baixo custo, mas não tão precisos como um HPLC

Os aparelhos portáteis de teste de perfis canabinoides surgem como uma terceira via para as associações de pacientes de Cannabis medicinal. Estes aparelhos são de baixo custo, mas não tão precisos como um HPLC. Dados preliminares de pesquisas conduzidas pelos pacientes com HCs apontam que nem sempre o perfil de canabinoides descrito nos rótulos das sementes são achados nos testes.

As associações Santa Cannabis e Abracam se assemelham por usarem a mesma alcunha (Associação Brasileira de Cannabis Medicinal). Esta similaridade reflete na preocupação de instalar formas de aferir a quantidade de canabinoides de seus associados. 

Um dos testes realizados pela Santa Cannabis foi o perfil da genética Blue Gellato da empresa Barneys Farms. O perfil identificado da genética Blue Gellato é de 11,60% de THC e menos de 0,2% de CBD. De acordo com o site leafy, uma referência em perfis de genéticas, a Blue Gellato possui um perfil de THC de 16%.

As associações Santa Cannabis e Abracam se assemelham por usarem a mesma alcunha (Associação Brasileira de Cannabis Medicinal). Esta similaridade reflete na preocupação de instalar formas de aferir a quantidade de canabinoides de seus associados

A Santa Cannabis utiliza o GemaCert Lite (imagem 1). O aparelho portátil utiliza tecnologia híbrida que alia a espectroscopia de infravermelho-próximo à análise de imagens e a comparação com outros resultados mantidos em base de dados.  De acordo com o fabricante, o erro deste método é de 10% na mensuração de THC e CBD total. O investimento neste modelo, é de U$ 2.500,00 por um número de testes ilimitado, sendo este aparelho aprovado pelo FDA.

Imagem 1 – Gemacert Lite

Fonte: GemaCert

A Abracam cultivou e testou a genética Meltdown da empresa Exoctic Genetix. O perfil desta genética é de 14,64% de THC, 5,88% de THCA, 1,59% de THCV, 0,68% de CBG, 0,45% de CBGA, 0,29% de CBC. De acordo com a Revolutionary Clinics, o perfil desta genética é de 21% de THCA, 0,6% de THC, 0,6% de CBGA.

A Abracam usa o kit de Cromatografia de Camada Delgada (CCD) da Alpha-Cat.  A empresa não divulga sua margem de erro. As Nações Unidas recomendam o uso da CCD como técnica precisa e de baixo custo. A CCD ainda é apontada como uma forma válida de mensurar canabinoides mas requer treinamento especializado e de outros recursos como luz ultravioleta, scanner e software de análise de imagem que aumentam sua precisão. O kit custa U$ 130,00 para fazer até 8 análises dos canabinoides THC, THCV, CBD, CBN, CBG e CBC  (imagem 2).

Imagem 2 – Kit de Análise de canabinoides Alpha-Cat para 8 testes.

Fonte: Alpha-Cat

A Santa Cannabis e a Abracam concluem que nem sempre se obtêm nos testes resultados idênticos aos postados nos rótulos das sementes. Diversos fatores ambientais como iluminação, temperatura, fertilização, umidade podem mudar o perfil de canabinoides. 

As informações contidas nos rótulos das sementes, na perspectiva da Santa Cannabis e da Abracam, são médias de diversos resultados ou os melhores resultados obtidos sob condições perfeitas de plantio. 

Assim, estas associações compreendem hoje que a seleção de genéticas para a produção de óleos medicinais depende de testes de perfis, sendo os rótulos apenas os primeiros indicadores

Assim, estas associações compreendem hoje que a seleção de genéticas para a produção de óleos medicinais depende de testes de perfis, sendo os rótulos apenas os primeiros indicadores. O papel dos testes portáteis para as associações de pacientes consultadas neste artigo foi o de iniciar o caminho de melhoria contínua de qualidade na produção de óleos de Cannabis. 

¹ DEBRUYNE, D, ALBESSARD, F., BIGOT, M. C., MOULIN, M. Comparisson of three advanced chromatographic thecniques for Cannabis identification. Bulletin of Narcotics, UNODC, 46(2), 109-121, 1994.

² BÉGUERIE, S., GARCIA, I. Comparative study for the quantification of THC, CDB and CBN…using Aplha Cat TPL method and GC-FID. 7th International Conference on Cannabinoids in Medicine , Alemanha, 2013.

*Paulo Jordão é doutor em Administração, professor da Universidade Federal do Piauí, sócio da Cannapi e colunista do Sechat.

As opiniões veiculadas nesse artigo são pessoais e não correspondem, necessariamente, à posição do Sechat.

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