“O que será das associações que cultivam, se aprovada a proposta da Anvisa?”, por Margarete Brito

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Margarete Brito com a filha Sofia, o motivo de uma longa batalha pelo direito ao tratamento de Cannabis, que ainda não acabou

Por Margarete é mãe da Sofia, advogada e fundadora da Apepi, Associação de Apoio á pesquisa e Pacientes de cannabis Medicinal

Bons tempos em que maconha era só maconha e ninguém a chamava de ‘commodity’, palavra que vem do inglês e originalmente tem significado de mercadoria.

Mesmo o Brasil ainda vivendo a proibição da produção e cultivo da planta, existe um mercado pulsante de cannabis medicinal no Brasil, além de inúmeros investidores que estão prontos para apertar o botão verde da largada.

Em reportagens, audiências públicas e eventos sobre cannabis, se tornou comum a crescente substituição de ativistas e associações por figuras do mercado. O protagonismo nessa pauta vem mudando exponencialmente, e isso confirma que a legalização está chegando pelo poder do capitalismo, fato!

Está cada vez mais claro que um dos principais motivos que levou o planeta a proibir a maconha, trará ela de volta: o dinheiro!

Basta ver, por exemplo, que a bancada do agronegócio já está discutindo de forma séria esse tema na Câmara do Deputados, logo após a maconha ter sido capa da revista Globo Rural.

Isso é bom ou ruim?

Depende. Se estivéssemos caminhando para uma abertura do mercado de forma competitiva para os pequenos e médios agricultores, seria bom. Mas, infelizmente, estamos indo para um monopólio que permite apenas a “Big Farma” explorar a planta.

Pela regulamentação da Anvisa, a pessoa jurídica que tiver licença para plantar, só poderá fornecer a matéria prima para a industria farmacêutica manipular medicamentos que serão registrados na Anvisa e vendidos na farmácia, provavelmente pelo mesmo valor ou mais do que importados que circulam hoje no mercado.

Pacientes e associações continuarão proibidos de cultivar a mesma planta que será permitida às grandes indústrias. Pacientes e associações poderão ser incriminados pela mesma planta que deixará a indústria ainda mais bilionária.

Ás custas de quem? Sim, dos pacientes e das Associações que abriram esse mercado, que passaram anos expondo suas histórias e seus filhos e talvez serão obrigados a jogar fora suas plantas e seus conhecimentos, para comprar o remédio na farmácia.

Mas algumas pessoas devem estar se perguntando: “ora! não é mais fácil comprar na farmácia, ao invés de tanto trabalho para cultivar ? Além dos custos e riscos?

Para algumas pessoas, sim. Porém, para muitos outros esse conhecimento sobre plantar maconha e extrair o remédio foi conquistado com muito trabalho ao longo de muitos anos, e hoje é sinônimo de autonomia, de poder, de amor, de aproximação dos ativistas com médicos, cientistas e pacientes. É um direito nosso e queremos exercer!

A pergunta que não quer calar: o que faremos com todo esse conhecimento e know how?

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