O uso medicinal da cannabis para tratar Parkinson

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O principais sintomas são: lentidão motora, rigidez entre as articulações do punho, cotovelo, ombro, coxa e tornozelo e tremores (Foto: Matthias Zomer/Pexels)

Por Sechat Conteúdo

O Mal de Parkinson é uma doença degenerativa do sistema nervoso central, crônica e progressiva. Ela é causada por uma diminuição intensa da produção de dopamina, um neurotransmissor que é uma substância química que ajuda na transmissão de mensagens entre as células nervosas. 

A dopamina auxilia na realização dos movimentos voluntários do corpo de forma automática e, com isso,  não é necessário pensar em cada movimento que nossos músculos realizam. Isso se deve à presença dessa substância em nossos cérebros. Quando há a falta dela, especificamente numa pequena região encefálica chamada substância negra, o controle motor do indivíduo é perdido. Portanto, ocasiona sinais e sintomas característicos.

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Ao longo do envelhecimento, os indivíduos classificados como saudáveis apresentam morte progressiva das células nervosas que produzem dopamina. Por outro lado, algumas pessoas perdem essas células num ritmo muito acelerado e, assim, acabam por manifestar os sintomas da doença. 

O principais sintomas são: lentidão motora, rigidez entre as articulações do punho, cotovelo, ombro, coxa e tornozelo, os tremores de repouso notadamente nos membros superiores e geralmente predominantes em um lado do corpo quando comparado com o outro e, finalmente, o desequilíbrio. É possível ocorrer também “sintomas não-motores”, diminuição do olfato, alterações intestinais e do sono, por exemplo. 

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Uso da Cannabis Medicinal no tratamento de Parkinson

Em 2014 foi realizado pela primeira um estudo com canabidiol (CBD) em humanos que mostrou eficácia para melhorar a qualidade de vida e bem-estar geral em pacientes com doença de Parkinson. “Com a vantagem de não ter apresentado nenhum efeito colateral”, justificou um dos coordenadores da pesquisa, o professor José Alexandre Crippa, da Faculdade de Medicina de Ribeirão Preto da USP.

O professor explicou que até hoje todos os medicamentos utilizados para tratar Parkinson atuam primordialmente no sistema dopaminérgico, conjunto de receptores da dopamina. Para Crippa, o CBD provavelmente atua no sistema endocanabinoide, formado por um conjunto de neurotransmissores que são semelhantes aos compostos químicos existentes na Cannabis sativa, planta de onde é extraído o canabidiol: “Isso pode explicar a ausência de efeitos colaterais e, com isso, dá um importante passo para uma nova opção de tratamento da doença”.

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Outro aspecto apontado pelo pesquisador como animador foi a ausência de flutuação nos sintomas psiquiátricos, ou seja, a variação de humor comum em quem utiliza medicamentos para controle dos sintomas não-motores da doença, como depressão e ansiedade, por exemplo, que se dão entre os intervalos de uso dos medicamentos.

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Pesquisa brasileira mostra a eficácia do CBD para o tratamento da doença

O mastologista do Hospital das Clínicas da UFMG e presidente da Associação Brasileira de Pacientes de Cannabis Medicinal (AMA-ME), Leandro Ramires, explica que o Parkinson atinge os neurônios dos gânglios da base do cérebro. “Há uma perda de neurônios e esses gânglios da base funcionariam como um relé. A mensagem para se movimentar um membro, por exemplo, sai do córtex cerebral, passa por esse relé e vai diretamente ao membro. Então, o paciente do Parkinson manda a ordem do cérebro para movimentar o membro, só que o relé, que é o gânglio da base, está defeituoso. Com isso, o impulso passa de maneira intermitente, daí o tremor que é muito comum no Parkinson”, explica. Além dos problemas motores, a doença também provoca ansiedade, mictura (acordar à noite para urinar), constipação intestinal, dentre outros.

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Leandro Ramires afirma que “tanto o canabidiol quanto o THC têm um potencial de recuperar esses neurônios que foram perdidos nos gânglios da base, além de proporcionar uma melhor condução nervosa desse estímulo. É um processo de reversão parcial da neurodegeneração e impede a progressão da doença.”

Fontes: Hospital Albert Einstein; USP; UFMG

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