Política de saúde funciona, política na saúde não!

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Dr. Pedro Pierro Neto é neurocirurgião, médico prescritor, pioneiro e colunista Sechat. (Foto: Arquivo pessoal)

Coluna de Pedro Pierro Neto*

Confesso que desde o início da pandemia, para manter minha sanidade mental, deixei de assistir noticiários da TV e passei a usar esse tempo para estudar e procurar novidades sobre a utilização da cannabis e, nesses estudos, encontrei muita coisa interessante como por exemplo: abelhas que utilizam a planta da cannabis para produção de mel; na matéria não dizia se era encontrado canabinoides, mas acho que merece uma atenção especial.

Imagine que sensacional uma forma natural de infusão de canabinoides?

Encontrei também a história de sete irmãs portuguesas que através do cânhamo, produzem um lindo tecido de forma artesanal e ecológica. Além disso, fazendeiros já utilizam um método denominado “aquaponia”, que é a criação de organismos aquáticos com a hidroponia, cultivo de planta cujas suas raízes, ao invés de ficar na terra, ficam em ambientes aquáticos. Nessa técnica, você utiliza os nutrientes presentes na água da criação de peixes, para o cultivo da cannabis.

Mas retomando ao tema desta matéria, na época em que assistia os noticiários na televisão, ouvia-se muito sobre fake news e como elas podem influenciar no poder de decisão das pessoas. Isso me lembra também o que o autor Napoleon Hill descreve em seu livro “Mais Esperto que o Diabo”, um ritmo hipnótico associado a alienação.

Nessas pesquisas aleatórias encontrei uma live, que superou e muito, qualquer filme de terror que já tenha assistido, foi realmente “a live do horror”.

Vou tentar dificultar, de todas as formas possíveis, localizar esse desserviço, pois não vale assistir nem para criticar depois. Dessa forma deixarei ilustrado quem são os participantes e como foi o roteiro dessa obra em homenagem a Pseudólogos (Na mitologia grega eram daemones que personificam as mentiras e as falsidades). Presentes nessa live em questão, três talentos artísticos: o Deputado Federal, filho do Presidente do Brasil, um outro Deputado Federal do Paraná, que ficou conhecido pelo método democrático de oposição quando deu um soco no Deputado Paulo Teixeira, por não concordar com a opinião do seu colega e, não menos importante, o Secretário de Cuidados e Prevenção as Drogas.

O que vem a seguir no diálogo desses artistas não são as mentiras é muito pior, é a distorção da verdade que engana e confunde muito mais, usando o medo e o preconceito como ferramentas de disformidades. Primeiro, como estão falando para apoiadores, iniciam o discurso dizendo que é uma questão ideológica defendida apenas pela esquerda e, que faz parte de uma estratégia de retomada ao poder, mas esquecem que essa pauta é um assunto de saúde e que as doenças não escolhem opiniões políticas, embora muitas vezes são favorecidas por elas.

Desqualificam as pessoas que defendem a utilização dessa ferramenta terapêutica. Falam sobre os riscos da cannabis psicoativa (rica em THC) quando o projeto trata da cannabis não psicoativa (rico em CBD). Creio eu, que os mesmos falam dessa forma, para que tudo fique misturado, confuso e preconceituoso.

Quando você imagina que nada pode piorar, percebe que estava enganado, pois vêm as distorções da verdade.

Imagem: Thinkstock

Alguns portadores do Transtorno do Espectro Autista têm uma seletividade oral que limita a utilização de diversos tratamentos e alimentos, só quem tem uma pessoa assim perto entende o que eu estou dizendo, é frustrante e desesperador.

Uma das vias de administração de fármacos são os comestíveis. Essa via é usada em diversas indicações e medicamentos, um exemplo disso, são os consagrados pirulitos de morfina usados em hospitais oncológicos pediátricos em muitos países que amenizam a dor de crianças portadoras de câncer de uma forma mais gostosa.

Por assim dizer, aqui me refiro as balas de gomas com CBD isolado para autistas. O que seria uma esperança de inclusão dessas pessoas no tratamento, se transforma em um infeliz comentário do filho do Presidente, dizendo que o objetivo é distribuir balas nas escolas e viciar as crianças.

Nesse momento, os comentários sanguinários da audiência, pronta a defender suas crianças contra a iminente ameaça que essa “planta” representa, me fez ver que sim, precisamos de leis para que não se propague a mentira e a distorção. É triste, quando os meios passam a justificar os fins, deixa de ser algo novo e passa a ser a velha frustração vestida de esperança. Dizem que entre você e qualquer pessoa do mundo existem 5 pessoas apenas. Vamos levar esse debate a quem tem o poder de decisão, qual o medo de discutir uma política de saúde pública que aborde essa pauta? Enquanto isso o que vemos é política na saúde e, infelizmente, isso sabemos que nunca deu certo!

*Pedro Pierro é neurocirurgião, sócio, diretor-científico e colunista do Sechat. Ele trabalha com Cannabis medicinal há mais de sete anos, tendo sido um dos primeiros médicos prescritores da terapia no Brasil.

As opiniões veiculadas nesse artigo são pessoais e de responsabilidade de seus autores.

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