Por que pacientes com câncer ainda hesitam em usar cannabis medicinal no tratamento?

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A regulamentação vigente no Brasil sobre o uso medicinal da Cannabis e seus derivados é de 2015. Após a RDC 17/2015 passou a ser legal a importação excepcional de produtos que têm como base o canabidiol em associação com outros canabinoides, para uso próprio mediante prescrição de médicos habilitados. (Foto: Reprodução)

João R. Negromonte

Apesar de varias pesquisas apontarem os benefícios da cannabis no tratamento contra alguns tipos de câncer, ainda existem pacientes que “torcem o nariz” quando o médico sugere a prescrição destes medicamentos.

Em estudo publicado no dia 13 de agosto na revista Câncer, feita por pesquisadores da Virginia Commonwealth University Massey Cancer Center, analisou dados coletados de mais de 20.000 pessoas entre 2013 e 2018, onde foi revelado que o consumo de cannabis atingiu um pico de 14% para pessoas sem histórico de câncer, entretanto, este número cai para apenas 9% em pacientes com câncer.

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O autor principal do ensaio, Bernard Fuemmeler, Ph.D., diretor associado de ciências populacionais e co-líder interino do programa de pesquisa de Prevenção e Controle do Câncer no VCU Massey Cancer Center, disse sobre os resultados:

Quando olhamos para saber se alguém usou cannabis durante os quatro anos de observação e, mesmo controlando coisas como idade e raça, os pacientes com câncer ainda não estão aumentando seu uso ao longo do tempo como a população em geral.

Bernard Fuemmeler

“Eu esperava que eles pelo menos espelhassem o que estava acontecendo na população em geral.” Reforça Bernard.

Os dados também revelaram que, independentemente do histórico de câncer, as pessoas que relataram níveis mais elevados de dor eram mais propensas a usar cannabis. Em comparação, taxas mais baixas de uso de canabinoides foram observadas de forma consistente entre mulheres, pessoas mais velhas e pessoas com renda mais alta, seguro médico ou melhor saúde mental.

Como a Cannabis pode beneficiar o paciente oncológico?

Os estudos mostram também que o uso da planta ajuda no alívio de algumas sensações e sintomas advindos do tratamento câncer. Observou-se uma melhora na questão da ansiedade, depressão, falta de apetite, dor, náusea e qualidade do sono. 

Isso acontece porque no corpo humano existe um sistema chamado endocanabinóide, responsável por manter nosso meio interno em equilíbrio (homeostase). O THC e o CBD se ligam a receptores desse sistema, CB1 e CB2, como se fosse um sistema chave-fechadura. A fechadura são os receptores e a chave os componentes da Cannabis

Apesar disso, ainda não existem protocolos estabelecidos que digam qual dosagem, tempo e forma de uso para se obter este efeito nos pacientes. Por conta disso, neste momento falar que a cannabis deve ser usada como tratamento dos tumores ainda é precoce. Repito: neste momento.

Dr. Ricardo Ferreira, especialista em dor e pioneiro na prescrição de cannabis

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Qual paciente oncológico pode fazer uso da Cannabis medicinal?

A ANVISA exige como pré-requisito para autorizar a importação da Cannabis que o paciente tenha algum tipo de refratariedade. Ou seja, a pessoa precisa já ter tentado outros tratamentos para aquele sintoma, mas não obter resultado positivo. Por exemplo, tentou um medicamento para náusea ou dor, mas não obteve benefícios/alcançou o resultado esperado.

Para pacientes que justifiquem não possuir condições financeiras para a compra de medicamentos a base de cannabis, existe também a opção do cultivo e extração dos componentes através de autorização judicial, ou seja, aqueles que desejam utilizar o medicamento mas não podem comprar, um Habeas Corpus pode garantir a produção, entretanto, esse meio assegura somente o uso medicinal e qualquer relação com tráfico ou consumo adulto pode ser um problema.

Quais os efeitos colaterais? existem contraindicações no tratamento com a Cannabis medicinal?

Segundo Dr. Pedro Pierro Neto, neurocirurgião, prescritor de medicamentos canábicos e diretor científico do Sechat, os efeitos colaterais são bem raros, mas que dependem do tipo e da quantidade de medicamento usados.

Os óleos ricos em CBD podem causar mudanças no funcionamento intestinal, como consistência das fezes e número de evacuações. Além disso, é possível que o paciente sinta um pouco de sonolência.

Já no caso dos óleos ricos em THC, os efeitos colaterais podem ser ansiedade, síndrome do pânico, sonolência e boca seca.

Contudo, hoje em dia já existem testes que utilizam de genotipagem, isto é, a identificação de perfis genéticos, que auxiliam o médico a prescrever cannabis. Assim é possível mapear os genes associados ao metabolismo de THC e CBD, permitindo que o profissional realize o ajuste de doses. Por isso é importante conversar com o médico e entender qual o melhor tipo de produto e dosagem para cada caso específico.

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A Cannabis pode curar um câncer?

Segundo relatos do Professor, Dr. H.c. Raphael Mechoulan, há indícios de que a cannabis pode ser útil no tratamento de câncer, mas nunca houve testes clínicos sobre isso. Já se sabe há anos que o CBD pode ser muito útil para tratar diabetes do tipo 1, mas nunca foi testado em pacientes.

Ilustração: Indio San/Superinteressante

Experimentos mostram que a cannabis pode ser muito útil em várias outras doenças. Inflamações intestinais — sem testes clínicos. Doenças de pele autoimunes – sem testes clínicos. Arterioesclerose — sem testes clínicos. Osteoporose – sem testes clínicos.

Mas o que isso significa? Bem, segundo o próprio cientista em entrevista a revista Super Interessante, muitos desses testes são financiados por grandes farmacêuticas, no entanto, como os componentes da cannabis (por ser algo natural e encontrado na natureza), não podem ser patenteados, isto significa que, “se uma empresa gasta US$ 500 milhões com um teste, que é mais ou menos o quanto isso custa, ela não vai ter retorno porque não tem uma patente. E isso é algo que os acadêmicos não podem fazer por si próprios. Nossos orçamentos são pequenos. É engraçado.” Explica Mechoulan.

Se ficou interessado em saber mais sobre o assunto, acompanhe a live de hoje (17/08) com o Dr. Ricardo Ferreira, médico ortopedista, especialista em dores e coluna. A transmissão acontecerá ao vivo às 19h pelo perfil do Sechat no Instagram.

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