Qual nome devemos usar?

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Segundo o colunista, o nome pelo qual a planta é conhecida pode mudar de região para região do país (Foto: Arquivo pessoal)

Coluna de Pedro Pierro*

Há pouco tempo fiz uma live com o deputado Luciano Ducci, eleito pelo estado do Paraná. O deputado é médico pneumologista infantil, já foi secretário de saúde de uma das principais capitais do país – Curitiba – e é o relator do substitutivo do Projeto de Lei 399/2015.

A entrevista com o deputado foi uma das maiores audiências e com o maior número de comentários das lives do Sechat. Isso não me deixou surpreso, pois o deputado tem duas expertises muito cobiçadas nesses tempos: a de ser um especialista médico em doenças do pulmão e o conhecimento necessário para se debater pontos controversos do substitutivo do PL 399, que trata do cultivo de uma determinada planta por pessoas jurídicas para fins medicinais, pesquisas e agronegócio. 

O que me deixou surpreso foi o debate que surgiu nos comentários sobre qual nome deveria ser usado para a planta em questão. O debate foi tão acalorado que até o deputado parou de responder sobre o PL e opiniou sobre qual nome a planta deveria ser chamada. 

O que me deixou surpreso foi o debate que surgiu nos comentários sobre qual nome deveria ser usado para a planta em questão. O debate foi tão acalorado que até o deputado parou de responder sobre o PL e opiniou sobre qual nome a planta deveria ser chamada. 

O grande desafio dessa dúvida é que estamos falando de uma planta que foi domesticada pela humanidade há cerca de 12.000 anos e que tem uso medicinal descrito há cerca de 5.000 anos. A quantidade de nomes que essa planta tem é compatível com seu tempo em nosso meio.

O nome científico é Cannabis Sativa, e por esse nome ela é descrita nos artigos científicos. Mas a planta é também conhecida de forma popular por diversos nomes que mudam de região para região.

O nome científico é Cannabis Sativa, e por esse nome ela é descrita nos artigos científicos. Mas a planta é também conhecida de forma popular por diversos nomes que mudam de região para região. Os nomes mais conhecidos no Brasil são maconha, cânhamo, capim santo, baum, faz-me-rir, morrão, bango, rafi, jérico, abanga, fumo-bravo, bang, bagulho, makana, cannabis, fumo de angola, diamba, liamba, pango, pacal, marofa, 04:20, brenfa, biricutico, bola, charas, beck, dona Juanita, marofa, ganja, birge, banza, riamba, caroçuda, cara, belô, banzé, chá, baga, erva, xibaba, camarão, tabaco maluco, verde, birra, bergue, skank, bauret, marijuana, mari jeane, fumo de cabloco, gererê, marigonga, paranga, bucha, fumo, aliamba, banga, mato seco, breu, vagalume, maria joana, hemp, da lata, sonia, sofia entre muitos outros.

Essa confusão de nomes já foi utilizada inclusive para liberação de fármacos à base de cannabis. O debate nessa live me fez lembrar de uma história bem interessante a respeito.

Na Inglaterra, onde o uso adulto da cannabis é proibido, mas o cultivo é permitido para pesquisas medicinais, a farmacêutica GW lançou em 1998 o medicamento Sativex, indicado para sintomas da esclerose múltipla – doença neurodegenerativa que entre seus sintomas apresenta espasmos dolorosos e incapacitantes de difícil controle.

Apesar de ser uma ferramenta eficaz para esse e outros sintomas, as sociedades médicas e os principais órgãos regulatórios do mundo não estavam confortáveis com essa liberação. Então, o presidente e fundador da GW pharmaceuticals dr. Geoffrey Guy, anunciou que o Sativex – que contém na sua fórmula 27mg/mL de THC + 25mg/mL de CBD – não é maconha e também não é Cannabis, o Sativex é Nabiximols. Como os Nabiximols não eram proibidos (até porque não existiam), o Sativex foi aprovado pela primeira vez no Canadá em 2005 e, na sequência, obteve a liberação em mais de 28 países, incluindo Reino Unido, Estados Unidos da América e Brasil.

Mas afinal, o que é Nabiximols? Segundo diversos livros de farmacologia, Nabiximols é um composto botânico derivado de um extrato da planta da Cannabis, ou seja, Nabiximols é sim o que você está pensando.

Deveria ser chamada de “BOAconha”. E talvez, o dr. Geoffrey Guy, assim como a Cidinha, estejam certos. Nabiximols não é Cannabis, Nabiximols não é maconha, Nabiximols é “BOAconha”.

Se for para usar dessa estratégia, minha amiga Cidinha, presidente da Cultive já deu uma ideia. Segundo ela, essa planta não deveria ser chamada de “MÁconha”, pois de má não tem nada. Deveria ser chamada de “BOAconha”. E talvez, o dr. Geoffrey Guy, assim como a Cidinha, estejam certos. Nabiximols não é Cannabis, Nabiximols não é maconha, Nabiximols é “BOAconha”.

*Pedro Pierro é neurocirurgião, sócio, diretor-científico e colunista do Sechat. Ele trabalha com Cannabis medicinal há mais de sete anos, tendo sido um dos primeiros médicos prescritores da terapia no Brasil.

As opiniões veiculadas nesse artigo são pessoais e de responsabilidade de seus autores.

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