A Cannabis feminina

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Segundo a colunista, a planta masculina não tem quantidades expressivas destas substâncias, sendo por isso usada principalmente para a produção de fibras, tecidos, saneamento de solos, construção, adubos (Foto: Arquivo pessoal)

Coluna de Jackeline Barbosa*

Olá vocês, é sempre uma alegria compartilhar minhas prosas mentais. Meu convite hoje é para pensarmos um paralelo sobre o lugar que a Cannabis tem ocupado e aquele que o feminino vêm tentando recuperar na sociedade atual.

Imagine que em um momento recente da história, a figura feminina passou a ser considerada algo frágil e submisso, que precisava ser protegida, a quem passou a ser negada a força e as convicções próprias.

Como tudo na história, esse molde foi sendo forjado, pouco a pouco. Nem sempre havia sido assim e nisto, nessa nova narrativa, tanto à Cannabis quanto ao feminino como arquétipo, o poder foi sendo visto como ameaça e, como tal, foi sendo forçosamente calado. À guisa de proteção ou cuidado, aprisionado e proibido. Veio a revolução industrial. Mulheres deram início a uma trajetória de não realizar exclusivamente os afazeres domésticos e passaram a ocupar as fábricas e indústrias. Final do século XX, e já com muito esforço e engajamento, movimentos feministas deflagram conquistas, que vêm se consolidando em diversas áreas, mas ainda inspirando lutas nas mais diversas frentes, e a isso é bem certo que nem seja preciso esforço para atentar.

Hoje o feminino se impõe e, nesse movimento, começa a recuperar o equilíbrio de sua presença, notada por lugares de fala, singularidades e sabedorias, a permear os mais diversos assuntos.

Hoje o feminino se impõe e, nesse movimento, começa a recuperar o equilíbrio de sua presença, notada por lugares de fala, singularidades e sabedorias, a permear os mais diversos assuntos. A figura do feminino demanda esse resgate, soberana que é, pela própria natureza. Equitativa na ancestralidade, embora por um tempo forçada ao silêncio e à opressão, seus poderes vêm de origem remota. Natureza e tempo, feminino e masculino, senhores de força e poder. Força que pode advir frágil, ingênua e doce, como a da semente, assistida pelo tempo, vencendo a terra, ainda quando é árida, e crescendo e se expandindo e florindo.

Flor de Cannabis, fruto partenocárpico. Feminino e masculino em perfeito e natural equilíbrio. Da planta feminina, todo o poder terapêutico.

Flor de Cannabis, fruto partenocárpico. Feminino e masculino em perfeito e natural equilíbrio. Da planta feminina, todo o poder terapêutico.

Da planta masculina, toda a coragem do desbravamento. Fibra, tijolo, fecundação e sementes. E, de novo, a feminina flor, a feminina planta, o feminino. Definido não pelo sexo, não só pelo gênero, mas por fortaleza, trajetória e propósitos.

Se flor de planta fêmea dá remédio, flor de planta macho dá sustento, sem fecundação não há semente e é da semente o mérito do equilíbrio, de onde brota a própria vida.

Plantas que limpam os solos. Solos que fecundam, plantas que preparam os frutos, e de novo as flores e, com elas, os remédios.

Uma jornada de complementos, de presenças imponentes, de proibições e renascimentos.

Solo é leito árduo, mas transforma a semente feminina em jornada de cura. O feminino tendo como principal escudo a sua própria doçura.  Já não se duvida da capacidade extraordinária do feminino.

A planta feminina é a que tem teores de fitocanabinoides em concentrações suficientes para uso terapêutico. A planta masculina não tem quantidades expressivas destas substâncias, sendo por isso usada principalmente para a produção de fibras, tecidos, saneamento de solos, construção, adubos.

Mas se você está aí se perguntando o que esse poder feminino tem a ver com Cannabis? Essa crônica era só mesmo pra dizer que a Cannabis é considerada uma planta dioica. Essa designação é dada para espécies botânicas em que o sexo está separado, ou seja, há plantas Cannabis masculinas e plantas Cannabis femininas. A planta feminina é a que tem teores de fitocanabinoides em concentrações suficientes para uso terapêutico. A planta masculina não tem quantidades expressivas destas substâncias, sendo por isso usada principalmente para a produção de fibras, tecidos, saneamento de solos, construção, adubos.

Curiosa que sou, estive outro dia a pesquisar se os nomes Marijuana, Mari Jane, Marihuana, guardariam qualquer relação com o  feminino da planta, mas encontrei pelo menos quatro versões completamente diferentes sobre a origem dos termos, que não me permitiram chegar a uma só conclusão. Se você também conhece uma história para o uso destes nomes, compartilhe nos comentários, será muito bom conhecer mais narrativas.

Enfim e portanto, se a realidade concreta da força feminina já não vê mais espaço para ser questionada, também não há de continuar a ser inibida a força que mora no feminino da Cannabis. Gênero que vence as intempéries do tempo, que é no tempo que a natureza se impõe, e revela seu poder.

*Jackeline Barbosa é médica, com doutorado em Ciências Médicas pela UFRJ e Mestrado em Neurologia pela USP de Ribeirão Preto, e colunista do Sechat.

As opiniões veiculadas nesse artigo são pessoais e de responsabilidade de seus autores.

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