As multifacetas que criamos, o legado que deixamos

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Paternostro, que é triatleta, passa a escrever todos os meses para o Sechat (Foto: Divulgação/Arquivo Pessoal)

Coluna de Fernando Paternostro*

Trabalhar com cannabis te coloca num espectro diferente da realidade, é como se você funcionasse em outra frequência. Isso porque o mercado funciona mesmo de forma paralela a tudo que conhecemos, com suas nuances, seus detalhes jurídicos, regulatórios, médicos e burocráticos. É um mercado dominado por médicos, fornecedores nacionais, internacionais e pacientes que dependem do medicamento para garantir uma qualidade de vida que já não encontram mais em qualquer outro lugar.

O mercado da cannabis é um mercado que surpreende. Sim, ainda é um mercado muito descapacitado, com muito para aprender e crescer. Sim, ainda é um mercado pequeno, com muito potencial mas que ainda está engatinhando se comparado aos mercados Americano ou Canadense.

O mercado da cannabis é um mercado que surpreende. Sim, ainda é um mercado muito descapacitado, com muito para aprender e crescer. Sim, ainda é um mercado pequeno, com muito potencial mas que ainda está engatinhando se comparado aos mercados Americano ou Canadense. E sim, ainda dependemos de órgãos públicos que podem a qualquer momento mudar o tom da história e voltar 10 passos que achávamos que já tínhamos andado. Mas é um mercado muito receptivo, onde você vê e sente que as pessoas que estão lá o fazem por opção, por amor à planta e por saber dos reais benefícios de quem faz uso e tratamento com ela. Todos precisam manter seu sustento com isso, serem reconhecidos como profissionais do setor, e ainda ajudar a esclarecer o estigma de décadas de proibição com aquele sorriso e paciência que só quem é do setor sabe.

Minha história com a cannabis no âmbito profissional não começou no Brasil. Acredito que fiz o processo inverso: primeiro fui para os EUA, onde pude visitar a maioria dos estados americanos onde a cannabis é legal. Pude ver os campos de cânhamo, as famosas greenhouses, as estufas industriais, os processos de extração (caseiros e farmacêuticos), as conferências de investidores, os investimentos em si. Enfim, pude ver uma indústria madura e bilionária funcionando a pleno vapor. Fui também ver o mercado de cannabis no Canadá, na Colômbia e na Espanha; cada um com suas particularidades, seus pontos fortes e fracos e seu momento dentro da história. Confesso que fiquei muito impressionado em ver onde isso chegou por lá, e como conseguiram rentabilizar, regular, distribuir e lucrar muito (mas muito mesmo!) com tudo isso.

Quando decidi entrar no mercado de cannabis no Brasil, fiquei dividido sobre como seria a maneira mais leve pra mim. Poderia começar montando um fundo de investimento, fazendo a ponte com marcas de CBD estrangeiras, ou até mesmo lançando a minha própria marca de CBD. No entanto, quis unir duas paixões minhas: esporte e cannabis.

Quando decidi entrar no mercado de cannabis no Brasil, fiquei dividido sobre como seria a maneira mais leve pra mim. Poderia começar montando um fundo de investimento, fazendo a ponte com marcas de CBD estrangeiras, ou até mesmo lançando a minha própria marca de CBD. No entanto, quis unir duas paixões minhas: esporte e cannabis. Ao me tornar paciente de cannabis medicinal no Brasil, comecei a contar essa história dentro do esporte, mais especificamente no triathlon, que é onde encontrei minha paixão. E posso garantir que está sendo uma experiência incrível: porém mais que contar essa história, a grande surpresa está em escutar as histórias das pessoas pela internet.

O brasileiro é um povo guerreiro, acostumado a vencer dificuldades e a lutar por tudo aquilo que deseja conquistar. E na cannabis não está sendo diferente. Seja na luta das associações para continuarem cuidando da população, na dedicação dos médicos em aprender cada vez mais sobre a planta, nas startups em trazerem soluções para a indústria, nos advogados que criam os instrumentos jurídicos para o plantio e para acesso ao medicamento, e em todos os pacientes que procuram estudar sobre o assunto e trazer ainda mais conhecimento para o país.

Por mais difícil que seja, vamos aproveitar a jornada e saber que a real experiência é aquilo que fazemos com o que acontece conosco durante nossa vida. Juntos podemos levar a cannabis no Brasil para o patamar internacional e nos posicionarmos como referência no mundo para pesquisa, tratamento e inovação dentro do setor. 

Do meu lado vou continuar cada vez mais forte, mais empenhado e crescendo cada vez mais meu  aprendizado e conhecimento. E assim poder, daqui algum tempo, olhar para trás e poder contar para as minhas filhas o legado que todos nós deixamos para trás, e como foi especial esse momento que estamos vivendo; onde temos a chance de fazer parte de algo maior que nós. Por mais difícil que seja, vamos aproveitar a jornada e saber que a real experiência é aquilo que fazemos com o que acontece conosco durante nossa vida. Juntos podemos levar a cannabis no Brasil para o patamar internacional e nos posicionarmos como referência no mundo para pesquisa, tratamento e inovação dentro do setor. 

*Fernando Paternostro é empresário, triatleta, criador do Atleta Cannabis, pai da Flora e da Bella e colunista do Sechat.

As opiniões veiculadas nesse artigo são pessoais e não correspondem, necessariamente, à posição do Sechat.

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