Dia das Mães: tratamento de filho inspirou biomédica a criar cosméticos à base de Cannabis

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Há 11 anos, a então estudante de biomedicina Bárbara Arranz, de Mogi das Cruzes (interior de SP), viu na Cannabis a chance de dar mais qualidade de vida ao seu filho, Raul, que tem a Síndrome de Asperger, um tipo de transtorno de desenvolvimento que afeta a capacidade de se socializar e de se comunicar com eficiência. Porém, Bá, como é mais conhecida, não tinha ideia que de a Cannabis seria foco também dos seus estudos e do seu trabalho.

Bá conta que, quando seu filho foi diagnosticado, ela não fazia ideia do que era o Cannabis e como ela poderia ajudar a dar uma vida melhor ao Raul. Além disso, a biomédica vivia em uma família conservadora em uma cidade ‘pequena’. A falta de informação a deixava às cegas e o que restava era a medicina tradicional.

As coisas começaram a mudar quando Raul tinha cerca de quatro anos e Bá decidiu cursar biomedicina. No ambiente acadêmico, a jovem estudante conheceu a Cannabis como solução medicinal. Então, passou a se dedicar a pesquisas sobre como usar a Cannabis para ajudar seu filho. “Estudar me deu uma visão muito mais ampla do que era a maconha e como ela poderia ajudar não só o meu filho, mas também milhões de outras pessoas”, conta Bá em entrevista ao Sechat.

Logo na faculdade, Bá decidiu estudar os efeitos da Cannabis. Seu TCC (Trabalho de Conclusão de Curso), sobre os efeitos da planta em pacientes com Alzheimer, foi aplaudido e, diante da repercussão positiva, a recém-aprovada como biomédica dava seus próximos passos rumo aos estudos da maconha. “Eu percebi que precisava fazer a diferença e a Cannabis seria a chave para isso.”

Um novo horizonte

Biomédica formada e com muita disposição para levar informação científica para a população e ajudar e quebrar preconceitos, Bá conheceu a Apepi (Associação de Apoio à Pesquisa e a Pacientes de Cannabis Medicinal). A instituição lhe deu a chance de tratar seu filho Raul com o óleo de Cannabis, e a melhora que ele apresentou foi “impressionante”. “Eu já estudava o Sistema Endocanabinoide há anos, mas ver sua eficácia na prática foi realmente revelador”, diz Bá.

Aquele desejo de “fazer a diferença” foi crescendo dentro de Bárbara, que sentia que precisava fazer algo, mas ainda não sabia por onde começar. Nesse período, Bárbara estava passando por dificuldades financeiras e sentia que ainda não tinha encontrado a chave que faria sua vida dar uma guinada. Na época, Bá extraia óleo de Cannabis, mas não produzia nada além do azeite.

Foi então que, após uma visita a uma floricultura, Bárbara teve um insight: cosméticos. “Eu ainda não tinha trabalhado com isso e meus insumos eram poucos, mas eu também não tinha nada a perder. Comprei algumas plantas e já tinha o óleo de Cannabis. Arregacei as mangas e comecei a produzir”, relembra.

E a ideia se mostrou boa em todos os sentidos. Além de conseguir uma renda para transpor os problemas financeiros, a biomédica viu que, a partir dos seus produtos, conseguiria colocar o seu propósito para girar: levar a Cannabis até a casa das pessoas. “Comecei apresentando os produtos à família e aos amigos, eles foram gostando, pedindo mais e recomendando a outras pessoas”, conta.

Linha Canábica

Foi assim que surgiu a Linha Canábica, em maio de 2019. Uma linha totalmente orgânica, vegana e sem aditivos químicos. “Ela floresceu a partir do meu desejo como mãe e ativista de desmistificar a maconha.”

Bárbara conta que, no começo, ia de porta em porta entregando as encomendas e que, muitas vezes, o valor que ganhava não cobria sequer os gastos, mas, mesmo assim, se sentia realizada por levar a Cannabis e seus benefícios para cada vez mais pessoas. E seu trabalho rendeu frutos. Seus produtos começaram a ser divulgados espontaneamente por seus clientes, trazendo um crescimento orgânico que não parou até hoje.

Desafios e novos propósitos

À medida que o negócio crescia, o preconceito também dava as caras. Seu perfil no Instagram era constantemente denunciado e bloqueado por pessoas que não entendiam seu trabalho. Porém, mesmo chateada, desistir não era uma opção.

Nesse período, o apoio dos seus clientes passou a ser ainda mais importante. “Eu percebia claramente que estava atraindo pessoas que realmente acreditavam no meu propósito e isso me dava toda a motivação que eu precisava para seguir trabalhando. Apesar das constantes tentativas de derrubar minhas páginas nas redes, minha linha seguiu crescendo e atraindo cada vez mais clientes”, diz.

À medida que Bárbara avançava os estudos, começou a perceber que, em sua opinião, outras questões precisavam ser levantadas, entre elas à preservação da indústria canábica em relação à indústria farmacêutica. “Acredito que o óleo de Cannabis pode sim ser comparado a um floral e a um fármaco natural. Mais do que isso, acredito que as propriedades da Cannabis devem ser aproveitadas como um todo e não em fragmentos isolados, como o canabidiol, por exemplo”, afirma.

Então, Bá ampliou o seu propósito e passou a defender que todos tenham acesso à maconha como um todo para uso medicinal e entrou na luta pela informação. “Também busco tentar fazer com que as pessoas entendam que a Cannabis não é um fármaco químico e nem deve ser tratada como tal. Ela é uma planta, que tem propriedades muito úteis e que deve ser respeitada e aproveitada como um todo”, diz.

Para dar conta de dúvidas iniciais que surgem, dentro do site da Linha Canábica, Bá criou um FAQ, que alimenta pessoalmente e de maneira totalmente gratuita por acreditar que o que falta a muitas pessoas é acesso à informação e de alguém que possa lhes prestar uma consultoria.

Especialização e novidades

Bárbara tem feito dos estudos sua principal ferramenta de disseminação de informações sérias e relevantes. Depois que terminou a faculdade de biomedicina, Bá se especializou em genética de espécies na Alliance University, da Flórida (EUA), porém, não parou por aí.

Em dezembro de 2019, Bárbara se mudou para Madri, na Espanha, com sua família. Aproveitando a oportunidade, se candidatou a uma vaga num grupo de pesquisas sobre Cannabis na Universidade Federal de Madri e foi aceita. Esse grupo, de acordo com a biomédica, conta com grandes nomes da área e será um marco em sua carreira.

E quem pensa que Bá parou por aí se engana. A criadora da Linha Canábica decidiu aproveitar que seu diploma de biomédica permite eliminar boa parte das disciplinas de medicina e decidiu cursar essa faculdade no segundo semestre deste ano.

Enquanto os estudos não começam, o trabalho não para. Bárbara enviou para alguns laboratórios espanhóis amostras de um protetor solar vegano à base de Cannabis que desenvolveu. Um desses laboratórios, de acordo com a biomédica, sinalizou interesse em produzir o cosmético. “O produto não faz mal nem para a pele e nem para o meio ambiente. A minha expectativa é que ele seja lançado no Brasil até o próximo Verão”, revela.

Bárbara afirma que a Cannabis mudou sua vida e a do seu filho e que pretende seguir usando o poder da informação para mostrar a cada vez mais pessoas que a maconha pode mudar a vida de muito mais gente.

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