Estudo diz que a cannabis pode ser a chave para ajudar crianças com espectro autista

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(Imagem: Freepik/Jcomp)

Por João R. Negromonte

Uma nova pesquisa, desenvolvida pela Neurotech, empresa focada na comercialização e desenvolvimento de soluções neurológicas que visam a qualidade de vida, divulgou resultados promissores de um estudo clínico da nova cepa de cannabis, NTI164, desenvolvida para o tratamento de pacientes com Transtorno do Espectro Autista (TEA) pediátrico.

Os resultados demonstraram que 93% dos pacientes tratados com o extrato de cannabis criado pela empresa apresentaram melhora nos sintomas após 28 dias de tratamento. O estudo foi conduzido pelo Chefe de Neurologia Pediátrica do Hospital Infantil Monash em Melbourne, o Professor Michael Fahey.

O estudo revela que este é o primeiro produto de cannabis medicinal full spectrum do mundo (com menos de 0,3% de THC) a ser estudado com sucesso em crianças com TEA.

Metodologia

A pesquisa foi realizada com 14 crianças de oito a 17 anos com diagnóstico médico de TEA nível 2 e 3, confirmados pelo Diagnostic Observational Schedule, considerado “padrão ouro” no diagnóstico do transtorno.   

Todo o estudo foi projetado para avaliar rigorosamente a segurança do NTI164, tal como sua eficácia no controle do foco, comportamento e parâmetros cognitivos relacionados à patologia.

As dosagens também foram observadas em todo o processo, incluindo 5mg/kg, 10mg/kg, 15mg/kg e 20mg/kg. A segurança foi monitorada através de exames de sangue completos e testes de função hepática e renal.  

A eficácia do produto foi medida através de questionários para pais/cuidadores e médicos para avaliar parâmetros, incluindo, mas não limitado a:

  • Ansiedade;
  • Participação;
  • Irritabilidade;
  • Hiperatividade;
  • Humor;
  • Autoestimulação.

No total, mais de 2.250 pontos de avaliação foram criados por meio do estudo de caso, método de pesquisa amplo sobre um assunto específico, permitindo aprofundar o conhecimento sobre ele e, assim, oferecer subsídios para novas investigações sobre a mesma temática.

Principais resultados

Os dados de segurança concluíram que NTI164 em 5, 10, 15 e 20 mg/kg administrado em duas doses diárias é seguro e foi bem tolerado na população do estudo.

Não foram observadas alterações no exame de sangue completo dos pacientes, função hepática ou testes de função renal. Também não foram observadas alterações nos sinais vitais ou no peso dos pacientes.

Outros resultados importantes incluíram:

  • 64% dos pacientes tiveram uma melhora global de “muito melhor”;
  • 29% dos pacientes tiveram uma melhora global de “minimamente melhorada”;
  • 7% dos pacientes não tiveram “nenhuma alteração”;
  • Dois pacientes registraram grande melhora e remissão completa ou próxima de todos os sintomas;
  • 10 pacientes registraram um Índice Terapêutico Moderado (ITM) de 5 e 6 pontos, representando melhora decidida, significando remissão parcial dos sintomas.

É importante ressaltar que as observações dos pais/cuidadores também indicaram uma melhora consistente no ‘funcionamento geral’ do participante quando comparado à média do início do estudo.

Casos específicos de comportamentos melhorados, como redução do medo, agitação e ansiedade, que foram observados, serão o foco principal dos próximos testes, que devem começar no terceiro trimestre de 2022.

O professor Fahey, em entrevista ao The Australian, importante site de notícias da Austrália, diz que está muito animado com os resultados do estudo, feito para avaliar a aplicação potencial do novo produto para o tratamento do TEA.

“Estamos encorajados pela eficácia demonstrada pelo NTI164 até agora e também, ansiosos pela extensão desta pesquisa, que irá avaliar ainda mais a segurança e eficácia a longo prazo do produto, que ao meu ver, tem potencial para ser levado ao registro de medicamentos”, conclui o pesquisador. 

E no Brasil?

Por aqui, também temos algumas pesquisas que demonstram a eficácia do Canabidiol (CBD) no controle do TEA. Um exemplo disso, foi a pesquisa publicada na Frontiers in Neuroscience em 2019, onde pacientes diagnosticados com o transtorno, com idades entre 6 e 17 anos, participaram de um tratamento que consistiu na aplicação de extrato de cannabis com alta concentração de CBD. 

Assim, após nove meses de tratamento, os pesquisadores puderam observar melhoras significativas em alguns distúrbios relacionados ao transtorno, especialmente aqueles ligados ao sono, crises convulsivas e comportamentais. Além disso foram relatados sinais de melhora no desenvolvimento motor, comunicativo e de interação social.  

Por isso, pesquisas que comprovam os benefícios dos derivados da cannabis são cada vez mais necessárias, trazendo conforto, bem estar e qualidade de vida para pacientes que, em grande parte, ainda desconhecem essa alternativa fitoterápica.

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