Estudo da UNILA sobre cannabis veterinária será publicado em revista internacional

Uma pesquisa da Universidade Federal da Integração Latino-Americana (UNILA), realizada em parceria com a associação Santa Cannabis, vai estampar as páginas da renomada revista científica Frontiers in Pharmacology

Publicada em 25/06/2025

Estudo da UNILA sobre cannabis veterinária será publicado em revista internacional

Imagem ilustrativa | Canva Pro

Uma pesquisa da Universidade Federal da Integração Latino-Americana (UNILA), realizada em parceria com a associação Santa Cannabis, vai estampar as páginas da renomada revista científica Frontiers in Pharmacology. O estudo, que investigou o uso de extrato de cannabis medicinal em cães com osteoartrite, já foi aceito para publicação entre agosto e setembro.

 

Ney Nascimento, pesquisador.jpeg
Ney Nascimento durante o Congresso Brasileiro da Cannabis Medicinal, compartilhando os avanços e resultados das pesquisas que destacam o potencial terapêutico da planta  | Imagem: Sechat

Nossa expectativa é a publicação nesta revista, que é um periódico internacionalmente reconhecido na área de farmacologia e de estudos clínicos. A publicação em uma revista deste nível é um sinal da qualidade da pesquisa da parceria UNILA–Santa Cannabis e certamente aumentará a distribuição e o impacto que poderá exercer sobre outras pesquisas e sobre a clínica veterinária”, afirma o professor Francisney Nascimento, coordenador do estudo.

 

Cannabis no alívio das dores

 

A pesquisa mostrou que o extrato da planta alivia dores, melhora a mobilidade e a qualidade de vida dos animais — e o mais importante: sem efeitos colaterais graves. Foram 17 cães que participaram do ensaio clínico, divididos entre um grupo que recebeu o extrato full spectrum e outro que recebeu placebo, com acompanhamento do Hospital Veterinário Pop Vet. Durante 90 dias, os cães foram avaliados com base em escalas como o Canine Brief Pain Inventory (CBPI) e o Índice de Dor Crônica de Helsinki.

Observamos a redução da dor com relevância clínica sem intercorrências relevantes, o que comprova que se trata de um fármaco seguro”, reforça o professor Francisney Nascimento.

A segunda etapa da pesquisa segue em andamento e prevê o uso contínuo do extrato por mais 90 dias. “A cannabis pode ser considerada segura para cães, mesmo com THC. Isso podemos afirmar porque nosso estudo demonstrou segurança clínica e bioquímica”, explica Nascimento.

 

O futuro da medicina veterinária 

 

 

Ricardo Penayo Cremonese farmacêutico e Neide Griebeler médica veterinária.jpg
Ricardo Penayo Cremonese, farmacêutico, e Neide Griebeler, médica veterinária, comemoram a publicação do estudo sobre cannabis veterinária, que reforça o potencial terapêutico da planta para cães com dor crônica. | Imagem: arquivo pessoal

Neide Griebeler, médica veterinária, uma das integrantes da equipe de pesquisadores, comemora o momento histórico vivido pelo grupo e reforça a importância do estudo para o futuro da medicina veterinária: “A expectativa é muito grande, e a gente se sente muito especial por estar fazendo parte da história da cannabis no Brasil, especialmente aqui no interior, podendo ter nosso trabalho visto pelo Brasil inteiro. É muito importante e gratificante esse reconhecimento, mas também há uma enorme responsabilidade com a qualidade das informações que passamos, tanto como universidade quanto individualmente.

Ela também destaca que este momento representa apenas o início de um longo caminho: “Isso é só o começo, só uma pontinha das coisas que ainda estão por vir. A medicina veterinária tem muito a avançar nesse campo, e a gente tem muitas outras perguntas a responder, muitas outras pesquisas que queremos desenvolver. Queremos sempre aprender o máximo possível com a planta — sobre as dosagens, as melhores formas de trabalhar, a segurança — e trazer novos resultados que impactem positivamente a qualidade de vida dos animais.

 

Tutores voluntários da pesquisa com cannabis

 

Entre os tutores voluntários que acompanharam o estudo, Kelvinson Viana viu os efeitos positivos em seus cães. “Nos primeiros dias ela ficou mais sonolenta, mas logo voltou ao normal. Com o tempo, começou a caminhar melhor, com menos desconforto. Foi muito bonito acompanhar essa evolução”, recorda Kelvinson.

 

Pedro Sabaciauskis.jpg
Pedro Sabaciauskis, presidente da Santa Cannabis, segura na mão direita uma flor de cannabis | Imagem: Sechat 

A papel da associação 

 

A Santa Cannabis, que forneceu o extrato e deu suporte científico ao estudo, também celebra o resultado. “A Santa teve um papel fundamental nesse projeto, fornecendo o extrato, apoiando a pesquisa desde o início e contribuindo com suporte técnico-científico. Eles são coautores do estudo e, durante toda a pesquisa, e até hoje, a associação se mostra muito atenciosa mediante qualquer necessidade nossa. É um prazer e um estímulo muito grande para a gente contar sempre com o apoio da Santa para fazer ciência no Brasil”, enfatiza o professor Ney.

Pedro Sabaciauskis, presidente da Santa Cannabis, reforça que “Esse tipo de colaboração entre universidades, clínicas veterinárias e associações como a nossa aponta o caminho para um futuro com mais inclusão terapêutica e políticas públicas baseadas em evidência”.

 

Leia também

  1. Cannabis na medicina veterinária: seis meses da RDC 936 e os desafios da regulamentação 

  2. Uso da cannabis medicinal na medicina veterinária é tema do Deusa Cast com especialistas da Unicamp 

  3. Óleo de cannabis com alimentos oleosos ou frutas pode aumentar eficácia, diz médica veterinária 

Estudo da UNILA sobre cannabis veterinária será publica...