Relatório Mundial sobre Drogas de 2021 revela aumento do uso da cannabis na pandemia

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Cerca de 200 milhões de pessoas utilizam cannabis em todo mundo (Foto: Canva)

João R. Negromonte

A prevalência global do uso de cannabis tem aumentado modestamente, enquanto o número de usuários da mesma continuam tornando a planta a droga mais usada no mundo todo. Em relatório produzido pelo United Nations on Drugs and Crime (UNODC), estima que quase 4% da população global com idades entre 15 e 64 anos, usaram cannabis pelo menos uma vez entre 2019 e 2020, o equivalente a cerca de 200 milhões de pessoas. Com um aumento de 18% em 10 anos desse índice, as previsões são que com a pandemia do novo corona vírus, esse número aumente ainda mais nos próximos anos.

A crise mundial do Covid-19 tomou seu pedágio na saúde pública, na economia global e na nossa maneira de vida. Desde o início de 2020, o mundo passou por uma emergência de saúde pública sem precedentes que causou uma dramática perda de vidas humanas e liderou muitos nações a introduzir medidas para conter a propagação do vírus. Essas medidas afetaram quase todos os aspectos da vida diária, da liberdade de movimento até como e onde nosso tempo livre é gasto.

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A pandemia trouxe consigo mudanças no uso de drogas, em geral, MDMA, LSD e cocaína foram menos usados ​​devido ao fechamento de locais sociais e recreativos. O aumento do estresse, tédio, mais tempo livre e mudanças financeiras, desencadearam um reforço no uso de cannabis, bem como no uso não médico de drogas farmacêuticas.

A produção de cannabis pode ter se expandido devido ao aumento da demanda. Ao contrário de outros medicamentos à base de plantas, para os quais a produção é concentrada em um número limitado de países, a Diamba, como era conhecida na África, é produzida em quase todos os países do mundo. O relatório afirma que devido a falta de fiscalização e dados confiáveis sobre a produção, fica difícil calcular precisamente o quão cresceu esses números na pandemia, porém uma certeza é que eles realmente aumentaram, mas o quanto ainda é um mistério.

Desenvolvimentos nas medidas de regulamentação em 2021, alavancaram as disposições legais que permitem o uso não medicinal de cannabis em países onde tais medidas já são aplicadas, como Canadá, Uruguai e 20 jurisdições (17 estados, 2 territórios e o Distrito de Columbia) dos Estados Unidos. A característica comum da legislação no Canadá e a maioria das jurisdições nos Estados Unidos é que geralmente permite a produção e venda por indústria com fins lucrativos de produtos derivados da erva em diferentes formas de uso, seja ele medicinal, alimentício, adulto dentre outros. Dados disponíveis até o momento sobre o uso de drogas durante a

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Dentro desse mercado, desde 2018, quando alguns estados dos EUA liberaram o uso medicinal e adulto da cannabis, outros países acompanham o desenrolar dessa medida para entender os impactos dessa liberação.

Financeiramente falando, o mercado está de vento em popa, as vendas do produto cresceram 46% segundo dados da revista Forbes e, entre 2019 e 2020, atingiu respeitáveis USD 17,5 bilhões para a indústria. Saindo dos campos yankees e vindo ao nosso país majoritariamente tropical, o cenário no Brasil é bem diferente. Desde 2014 a Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) permite apenas o uso médico do canabidiol (CDB), uma das substâncias da cannabis, e sua venda em farmácias só foi autorizada em 2020. Apesar das restrições, o que não faltam são oportunidades.

Um desses raros estudos foi feito pela Associação Nacional da Indústria de Cannabis e mostra que as vendas legais de maconha aumentaram 20% no ano passado. De acordo com outra pesquisa, esta feita pela Kaiser Family Foundation, as razões pelo aumento estão relacionadas justamente com o combate à ansiedade e à depressão durante o período de quarentena para evitar a disseminação da covid-19.

Neste contexto, vale destacar ainda que uma pesquisa científica feita ainda no ano passado apontou efeitos positivos do consumo de canabidiol (CBD), para reduzir os riscos e prejuízos causados pelo aumento de citocina em casos do coronavírus. A citocina faz com que o sistema imunológico colapse, tornando mais difícil o tratamento contra o vírus.

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O caminho ainda é longo para uma possível regulamentação da cannabis no Brasil, porém, como o próprio Dep. Paulo Teixeira (PT-SP), presidente da comissão especial que trata da PL 399/2015 que tramita na plenário da câmara declarou em live para a  Medical Fair Brasil essa semana, “somente a força popular pode mudar essa realidade”, referindo-se a expansão comunicacional em torno do tema como sendo uma das soluções para apressar a votação do projeto no plenário.

Enquanto isso não acontece, o dever de cada cidadão que defende a legalização é procurar seus parlamentares e indicar o parecer favorável a PL e contra o recurso, assim, tudo que está na “boca do povo” merece atenção redobrada, pois enquanto nosso legislativo atrasa na sua decisão, mais pacientes e famílias lutam para conseguir seus medicamentos e garantir uma qualidade de vida que, todos enquanto seres humanos, temos direito.

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