Vantagem competitiva, seleção natural e dog years

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Para além do potencial econômico, Paternostro destaca o uso da Cannabis para saúde mental - melhorando a qualidade de vida das pessoas através de medicina preventiva - e no esporte, melhorando de forma indireta a performance dos atletas (Foto: Arquivo pessoal)

Coluna de Fernando Paternostro*

Venho escutando muito sobre o mercado de cannabis brasileiro estar passando por uma fase de  transformação acelerada. Nosso pequeno ecossistema nacional parece uma revolução de milhões de pessoas, nosso próprio woodstock tupiniquim. Mas o que é essa mudança? Por que ela está acontecendo nesse momento e quais os próximos passos da indústria? Isso é o que  quero trazer para discussão nesse texto. 

O Brasil é um dos mercados com maior potencial dentro da indústria da cannabis. Nosso clima, nossa terra e nosso histórico com a agricultura com certeza podem nos colocar no cenário internacional de igual para igual com as gigantes americanas e canadenses. Então por que ainda não estamos investindo pesado nisso?

O Brasil é um dos mercados com maior potencial dentro da indústria da cannabis. Nosso clima, nossa terra e nosso histórico com a agricultura com certeza podem nos colocar no cenário internacional de igual para igual com as gigantes americanas e canadenses. Então por que ainda não estamos investindo pesado nisso? Muito tem a ver com a questão cultural por trás da cannabis (prefiro falar cannabis que maconha justamente por isso), e essa inércia de ponto de vista que arrastamos por gerações, onde o consumo recreativo acabou trazendo o estigma do proibicionismo como principal referência sobre o assunto. A parte positiva desse cenário é que  possuímos hoje em dia referências de outros países, e que podemos olhar para esses mercados e entendermos de forma mais objetiva como eles amadureceram e quais as curvas de aprendizado que tiveram para que possamos crescer com um objetivo claro e bem definido. Isso é uma vantagem competitiva única para nós, onde podemos utilizar esse aprendizado de outros mercados para sermos extremamente atraentes para investidores, empresas e Big players do cenário internacional.  

Quando entendermos que o Brasil é, naturalmente, um país com uma vantagem competitiva enorme, vamos conseguir procurar fora do país as soluções para todas as questões relacionadas ao crescimento do mercado de cannabis nacional.

Se juntarmos essa oportunidade competitiva com a necessidade de capacitação do mercado, temos aí já um primeiro desafio. Como podemos trazer para o Brasil profissionais da indústria que possam nos auxiliar a capacitar nosso mercado de forma a criar processos, protocolos e relacionamentos verdadeiros? Precisamos olhar para dentro para conseguir enxergar para fora, e isso não é papo filosófico. Quando entendermos que o Brasil é, naturalmente, um país com uma vantagem competitiva enorme, vamos conseguir procurar fora do país as soluções para todas as questões relacionadas ao crescimento do mercado de cannabis nacional. Não porque eles sejam melhores ou piores que nós nessa questão, mas porque muitos já passaram por essa curva de aprendizado e podem compartilhar esse conhecimento conosco. Nosso smartworking consiste em nos movermos de forma rápida, consolidando conhecimento, relacionamento e capital para estruturar o mercado e permitir que pacientes naveguem pela burocracia de forma leve e fácil; e que isso não seja um impeditivo e sim uma proteção para quem quer fazer uso responsável e medicinal da planta. 

Essa seleção natural que o mercado tão sabiamente faz, muitas vezes de forma bruta e sem piedade; é o que nós precisamos hoje no Brasil

Essa seleção natural que o mercado tão sabiamente faz, muitas vezes de forma bruta e sem piedade; é o que nós precisamos hoje no Brasil. Estamos nos profissionalizando, criando relações sérias e parcerias verdadeiras; e isso de maneira cada vez mais acelerada. Nos EUA, conheci o termo Dog years dentro do cannabis space; onde os americanos gostam de fazer essa  brincadeira com a velocidade que o mercado caminha em relação aos mercados tradicionais: o crescimento da indústria é medido em ‘anos de cachorro’, na proporção de 7 para 1 (1 ano de  um cachorro é equivalente a 7 anos de um ser humano). Sendo assim, 1 ano dentro do mercado  de cannabis americano seria o equivalente a 7 anos de um mercado tradicional. Quem está dentro da indústria sabe dessa máxima, e aqui no Brasil não poderia ser diferente.  

Nosso dog years é ainda mais acelerado na minha visão, e continuo procurando um animal para criar a nossa analogia brazuca. O importante é ressaltar que, se esse ritmo é acelerado no mercado americano, por aqui o assunto é ainda mais intenso, já que temos toda a referência  internacional para absorver além das inovações e soluções lançadas no mercado nacional. Resta termos a sabedoria de implementar esse conhecimento de forma a moldar um ecossistema saudável, legalizado e capacitado; e assim poder beneficiar quem realmente precisa de todo esse esforço: o paciente. 

Deixo questões como o uso da cannabis para saúde mental, melhorando a qualidade de vida das pessoas através de medicina preventiva. O uso da cannabis dentro do esporte, melhorando de  forma indireta a performance dos atletas.

Deixo questões como o uso da cannabis para saúde mental, melhorando a qualidade de vida das pessoas através de medicina preventiva. O uso da cannabis dentro do esporte, melhorando de  forma indireta a performance dos atletas. O uso dentro do mercado de wellness, para pessoas que querem combater a ansiedade, a depressão e a insônia. O uso de medicamentos que vão além do óleo da cannabis, como cremes, loções, capsulas, gel, sprays e tantos sistemas de entrega tão comuns lá fora e que aqui ainda estão começando a aparecer. Enfim, uma infinidade de avanços tecnológicos que estão a nossa disposição e que precisamos, com urgência, dar atenção para que nosso mercado não fique a mercê de interesses culturais e crenças limitantes antigas e ultrapassadas.  

Gostaria de terminar citando um dos meus filósofos favoritos, Terence McKenna, e suas reflexões nada convencionais sobre Cultura: 

“A Cultura não é sua amiga. A cultura é para a conveniência de outras pessoas e das várias instituições, igrejas, empresas e esquemas de recolhimento de impostos. Ela não é sua amiga. Ela te insulta. Ela de desempodera. Ela te usa e te abusa. Nenhum de nós é bem tratado pela cultura. A Cultura é uma perversão. Ela fetichiza objetos. Ela cria manias de consumo. Ela prega infinitas formas de falsa felicidade, infinitas formas de falso entendimento na forma de religiões e cultos. Ela convida as pessoas a se diminuírem e a se desumanizarem comportando-se como máquinas. Nós temos que criar Cultura, não assistir a TV, não ler revistas, nem escutar o rádio. Crie o seu  próprio show. O nexo do espaço-tempo onde você está agora é o setor mais imediato do seu  Universo.” Terence K. McKenna

*Fernando Paternostro é empresário, triatleta, criador do Atleta Cannabis, pai da Flora e da Bella e colunista do Sechat.

As opiniões veiculadas nesse artigo são pessoais e não correspondem, necessariamente, à posição do Sechat.

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