Estudo revela potencial terapêutico das raízes de Cannabis sativa para distúrbios uterinos

O estudo, conduzido na região do Médio Vale do São Francisco, destaca a importância da parte menos explorada da planta, conhecida por sua baixa concentração de canabinoides clássicos, mas rica em compostos anti-inflamatórios e antiasmáticos

Publicada em 05/02/2024

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Uma pesquisa inovadora promete revolucionar o tratamento da dismenorreia com a raiz de Cannabis (Cannabis sativa L.) emergindo como uma potencial alternativa eficaz. O estudo, conduzido na região do Médio Vale do São Francisco, destaca a importância da parte menos explorada da planta, conhecida por sua baixa concentração de canabinoides clássicos, mas rica em compostos anti-inflamatórios e antiasmáticos.

A pesquisa, baseada em dados etnofarmacológicos e práticas tradicionais observadas em comunidades locais, revela o potencial terapêutico das raízes de Cannabis na abordagem da dismenorreia, uma condição caracterizada por dor pélvica pré-menstrual. Os resultados sugerem que extratos aquosos liofilizados das raízes da planta podem oferecer alívio significativo, com efeitos anti-inflamatórios e antiasmáticos notáveis.

A região do Médio Vale do São Francisco, conhecida por seus extensos cultivos de Cannabis, proporcionou um ambiente propício para o estudo. Com comunidades tradicionais, incluindo populações indígenas, fazendo uso empírico de preparações de raízes, a pesquisa ressalta a importância de validar práticas ancestrais com métodos científicos modernos.

Segundo os pesquisadores, a dismenorreia primária, associada à liberação de substâncias pró-inflamatórias, encontra respaldo nos dados etnofarmacológicos que indicam o uso tradicional de decocções das raízes da Cannabis para tratar inflamações, febre, infecções e dor. O estudo, portanto, visa validar e consolidar essa prática popular.

O objetivo central da pesquisa é investigar a composição química do extrato aquoso liofilizado de raízes de C. sativa (AqECsR) e avaliar seu efeito antidismenorréico em camundongos fêmeas. Além disso, os cientistas buscam avaliar o potencial sinérgico de associações de subdoses de AqECsR com doses subterapêuticas de medicamentos convencionais utilizados na terapia antidismenorréica.

Os resultados preliminares indicam uma promissora eficácia do extrato aquoso liofilizado, abrindo caminho para possíveis tratamentos inovadores e menos dependentes de doses elevadas de medicamentos convencionais. A pesquisa destaca a importância de explorar as propriedades menos estudadas da planta de Cannabis e incentiva uma abordagem mais holística no tratamento da dismenorreia.

À medida que avançamos nessa jornada científica, a pesquisa na região do Médio Vale do São Francisco não apenas oferece uma nova perspectiva sobre o potencial terapêutico da raiz de Cannabis, mas também destaca a importância de unir conhecimentos ancestrais e avanços científicos para melhorar a qualidade de vida das mulheres que enfrentam a dor da dismenorreia.

Fonte: Science Direct