Estudo brasileiro: autistas tem mais qualidade de vida com cannabis  

Publicado este ano, o estudo avaliou 20 pacientes que seguiram um regime personalizado da terapia canabinoide

Publicada em 01/12/2023

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Um estudo recente, conduzido no Brasil e publicado na revista médica Frontiers in Psychiatry, revelou resultados promissores sobre o uso medicinal da cannabis no tratamento de pacientes com Transtorno do Espectro Autista (TEA). Embora o estudo envolva uma amostra relativamente pequena de 20 pacientes, os impactos positivos observados oferecem perspectivas animadoras para uma abordagem personalizada no manejo dos sintomas do TEA. 

Os transtornos do espectro do autismo afetam cerca de 1 em cada 36 crianças, apresentando uma ampla gama de sintomas e comportamentos que influenciam o desenvolvimento, função motora e comunicação. Até o momento, as opções de tratamento são limitadas, deixando pacientes e suas famílias enfrentando desafios significativos. 

O estudo em questão adotou uma abordagem personalizada, oferecendo aos participantes regimes adaptados de óleo de CBD, óleo de THC ou uma combinação dos dois. A personalização levou em consideração as necessidades individuais, ajustando as proporções de THC para CBD ao longo do tempo. Após um período de tratamento que variou de 3 a mais de 6 meses, os resultados indicaram melhorias notáveis na qualidade de vida, não apenas para os pacientes, mas também para suas famílias. 

"A qualidade de vida dos pacientes autistas melhorou em 95% dos casos, enquanto a vida de seus familiares em 83%", destacou o estudo. Os cuidadores relataram melhorias em uma variedade de sintomas e comportamentos associados ao TEA, incluindo convulsões, colapsos emocionais, desconforto em ambientes barulhentos e comportamentos agressivos. 

A pesquisa também revelou melhorias nas habilidades de comunicação, com 85% dos cuidadores notando maior receptividade à comunicação verbal direta. Além disso, melhorias no contato visual e atenção à conversa foram observadas em 75% dos casos, enquanto a comunicação verbal melhorou em 50% dos pacientes. 

No entanto, é crucial abordar as limitações do estudo, como o tamanho reduzido da amostra, a ausência de um grupo de controle e o desenho aberto, que pode influenciar os resultados auto-relatados pelas famílias. Apesar dos resultados promissores, mais pesquisas são necessárias para confirmar a eficácia da cannabis no tratamento do TEA em uma escala mais ampla.