"Maconha destrói neurônios e diminui a produtividade", afirma Pablo Marçal em entrevista

Pré-candidato à prefeitura de SP contrapõe opinião de especialista sobre os efeitos da cannabis no cérebro

Publicada em 17/07/2024

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Pablo Marçal | Imagem: Reprodução Instagram

Em recente entrevista à Rádio Band News, o empresário e pré-candidato à prefeitura de São Paulo, Pablo Marçal, fez uma declaração inconsistente sobre a cannabis. Segundo Marçal, "maconha destrói neurônios e diminui a produtividade". Essa afirmação gerou reações e contrapontos de especialistas na área de saúde e neurociência.

Sidarta Ribeiro, neurocientista, biólogo e professor titular e vice-diretor do Instituto do Cérebro da Universidade Federal do Rio Grande do Norte, discorda da afirmação de Marçal. "É muito comum que pessoas de diferentes lugares do mundo pensem que maconha mata neurônios, quando na verdade é exatamente o contrário”, afirma o especialista, que explica que os derivados da cannabis promovem a neurogênese, isto é, a formação de novos neurônios e de novas sinapses, que são as ligações neurais.

A afirmação de Marçal reflete um ponto de vista que ainda encontra eco em parte da sociedade, preocupada com os potenciais efeitos adversos do uso da maconha. No entanto, a ciência vem demonstrando que a planta possui propriedades medicinais significativas, que vão além dos estigmas culturais. "É importante separar o uso recreativo do medicinal. A cannabis tem demonstrado benefícios claros em diversas condições neurológicas e psiquiátricas, especialmente em idosos e, afirmar que ela apenas destrói neurônios, é uma visão ultrapassada e desinformada", completa Ribeiro em entrevista ao jornalista Pedro Bial.

Veja as opiniões:

 

 

A polêmica em torno da cannabis continua a suscitar debates acalorados, especialmente em um momento em que o Brasil discute regulamentações mais amplas para os diferentes usos da planta. Por isso, as alegações de figuras públicas como Pablo Marçal, destacam a necessidade de um debate bem-informado e baseado em evidências científicas, para que a sociedade possa tomar decisões conscientes sobre o uso e a regulamentação dessa planta ainda tão estigmatizada.